ENTREVISTAS ESTREIAS

Documentário Um Casamento é homenagem de filha para mãe

A cineasta Mônica Simões estreia nesta quinta o documentário Um Casamento, em que retrata a relação de seus pais para iluminar sua mãe, Maria Moniz, musa tropicalista na Bahia dos anos 50. Haverá debate do filme dia 18, às 20h30, no Centro Cultural de SP (Vergueiro), e dia 25, às 20h30, na Biblioteca Roberto Santos (Ipiranga).

Maria Moniz sempre foi uma mulher à frente de seu tempo, mas ainda assim casou-se com o primeiro namorado. Mônica revisita o passado da mãe através de filmes e fotografias. É a própria Maria, contudo, que engrandece o resultado, ao se abrir para a filha como nunca fizera. A cineasta falou à PREVIEW.

Por que decidiu contar a história de Maria Moniz e como ela reagiu ao saber que seria tema de um filme?

MÔNICA SIMÕES – Tudo começou há 17 anos, quando vi pela primeira vez o filme do casamento de meus pais. Os efeitos do tempo na película me impactaram profundamente. O filme estava quase todo destroçado, mas plasticamente era belíssimo. Ali, naquele momento, brotou o desejo de contar essa história a partir dessas imagens. Minha mãe não esperava ser a personagem principal. Pensava que seria um documentário apenas com as imagens de arquivo sem a sua integral e intensa participação.

Nesse processo de volta ao passado, você descobriu algo sobre a vida de Maria, e da relação dela com seu pai, de que não tinha conhecimento antes?

Eu não sabia do episódio do jornal, ou seja, que a sua demissão tinha sido provocada por meu pai e as consequências desse ato na vida do casal.

crédito foto: Optaciano de Oliveira Filho

 Com o tema do empoderamento feminino na ordem do dia, sua mãe surge como uma figura representativa. Ela tinha noção do quanto era moderna e ousada naquela época?

Sim. Ela sempre soube, porque sentia na pele em uma Bahia provinciana, que era uma pessoa com pensamentos, ideais, gestos e atitudes muito à frente do seu tempo.

Pode contar um pouco dos desafios de montar o filme? Porque imagino que tenha sido duro fazer a seleção do material de arquivo, e sinto que seu intento era dar uma pegada mais pessoal do que histórica a Um Casamento. Tinha isso claro desde o início?

Sim, desde o início estava claro que este seria um filme muito autoral. Até agora, o mais autoral de todos. Durante as filmagens, a persona que prevaleceu foi a da diretora, claro que a filha estava presente, mas em primeiro plano estava a profissional.  De outra forma, provavelmente, eu não teria conseguido fazer. Mas, durante a montagem eu desabei. Era como se somente naquele momento tivesse me dado conta do quão pessoal e intimo era esse filme. Foi um longo e sofrido processo até encontrar dentro de mim o verdadeiro tom de toda essa história.

Qual foi a reação de sua mãe ao ver o documentário pronto?

Disse que estava muito acima de sua expectativa. Vindo dela, uma cinéfila de primeira grandeza, foi um grande elogio para mim.

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