CRÍTICAS ENTREVISTAS ESTREIAS

“É enigmático e cheio de Easter Eggs”, diz Owen Campbell sobre Como Você É

Jack (Owen Campbell, da série Boardwalk Empire) é um estudante do ensino médio que vive com a mãe, Karen (Mary Stuart Masterson), em uma cidade suburbana dos Estados Unidos dos anos 1990. Ele não tem amigos e não se encaixa em nenhum grupo. Até que Tom (Scott Cohen), o novo namorado de Karen, muda-se para sua casa e traz junto seu filho Mark (Charlie Heaton, o Jonathan da série Stranger Things).

Jack e Mark conectam-se rapidamente e travam uma forte amizade com Sarah (Amandla Stenberg), uma colega da escola. A trinca será testada na medida em que a realidade de cada um, com seus dramas e segredos, vem à tona. O enredo de Como Você É mescla esses acontecimentos com um interrogatório policial – ou seja, algo deu errado. A alternância entre passado e presente funciona bem, principalmente porque o desenrolar é mais intrincado do que aparenta.

Owen Campbell entre Amandla Stenberg e Charlie Heaton

Owen Campbell entre Amandla Stenberg e Charlie Heaton

Vencedor do Prêmio Especial do Júri do Sundance 2016, Como Você É trata os desafios da juventude sem subterfúgios, porém não abre mão da delicadeza. Uma bela estreia do diretor e roteirista Miles Joris-Peyrafitte. Mas preste atenção no protagonista, Owen Campbell, um daqueles tipos difíceis de decifrar. PREVIEW conversou com o ator.

O que trouxe de sua vida para o personagem Jack?

OWEN CAMPBELL – Quando eu era mais novo, também me sentia isolado do grupo. Mas, ao contrário de Jack, tive a sorte de encontrar uma saída para aquela sensação de ser incapaz de se conectar e de se relacionar com o outro. E é incrível quando você encontra outra pessoa que soube lidar com isso e que não está sozinho.

O diretor pediu para que assistissem a outros filmes sobre a juventude?  

A fase de preparo foi um sonho. Charlie e eu nos mudamos para a casa em que viveríamos durante as filmagens e passamos dias trabalhando no roteiro. Foi um privilégio ter esse tempo para construir uma relação verdadeira e faz muita diferença quando você realmente se importa com a pessoa com quem contracena. Quanto aos filmes, só me lembro de ter assistido a Montage of Heck, o documentário sobre Curt Cobain. Mais do que filmes, Charlie, Amandla e eu ouvimos muita música.

Jack e Mark foram criados de maneiras opostas – o primeiro na base do carinho e o outro na da violência. Como Mary Stuart Masterson e Scott Cohen trabalharam esse conflito com vocês nos sets?

Mary Stuart e Scott são atores brilhantes e preciso dizer que eu e Charlie aprendemos muito com eles. Como tínhamos de lidar com coisas pesadas na trama, havia sim um clima sensível, mas eles davam um jeito de deixar a atmosfera mais leve entre uma cena e outra.

O filme aborda a busca pela identidade e, embora não seja especialmente sobre preconceito, é uma questão que pulsa forte nas entrelinhas.

As pessoas têm medo daquilo que não entendem, mas há aquelas que se alimentam do ódio. Isso me amedronta e me deixa furioso. Posso falar apenas por mim, mas é um desafio lidar com um ódio que acabei absorvendo por osmose. Mas continuo na luta, não desisto.

A narrativa ficou envolvente ao mesclar os fatos com o interrogatório policial. Vocês filmaram as duas partes em separado?

Na maioria das vezes, filmamos de acordo com as locações e em blocos, mas a direção de arte se encarregou de fazer ajustes em cada cenário e deixar algumas pistas sutis que ligam os dois momentos. Este é um filme enigmático e cheio de Easter eggs.

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