ENTREVISTAS FESTIVAIS

“É um filme sobre defender o que acha ser certo”, diz diretor de Aquarius

Vaias e gritos a qualquer representação do governo interino prepararam o terreno para a sessão de Aquarius na abertura do Festival de Gramado 2016. A atmosfera estava bem politizada, mas o diretor Kleber Mendonça Filho (O Som ao Redor) não colocou mais lenha na fogueira durante a apresentação do longa no Palácio dos Festivais. “É um filme sobre defender o que acha ser certo, no sentido da democracia”, disse o diretor de forma tranquila.

O roteiro faz duras críticas à especulação imobiliária com a história de Clara (Sônia Braga, de Lope), uma jornalista aposentada que é a última moradora de um prédio antigo na orla de Recife. Ela é assediada por uma construtora a vender o imóvel, para que o terreno dê lugar a um novo empreendimento.

Durante a passagem do longa no Festival de Cannes, a equipe fez protestos contra o impeachment e agora vê seu filme receber a classificação indicativa de 18 anos às vésperas do lançamento no circuito. Por isso, o teor político dos acontecimentos foi tema da coletiva de imprensa no evento gaúcho.

“Todo cineasta quer que o filme seja visto”, defendeu Mendonça. “Eu respeito muito o que está acontecendo, é algo muito especial.” Os desdobramento fora do mundo do cinema podem funcionar como combustível na campanha de divulgação do título. “É impossível prever o que vai acontecer com o filme e sentimos boas vibrações”, ponderou a produtora Emilie Lesclaux (Permanência).

Elenco afinado

Sônia Braba disse que foi convencida a participar do longa ao ler o roteiro. “Até a metade eu não estava respirando”, confessou. “Eu estava lendo todas as palavras que eu precisava falar naquele momento.”

A personificação do assédio sofrido por Clara é Diego (Humberto Carrão, de Geração Brasil), arquiteto responsável pelo futuro empreendimento, “o vilão mais plausível que eu já vi no cinema brasileiro”, as palavras do diretor. “Tem muita gente que não o vê como vilão, e isso deixa o personagem mais intenso e complexo”, atestou Humberto. “Ele é uma nova geração de vilão.”

Coletiva de imprensa do filme Aquarius no Festival de Gramado (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Coletiva de imprensa do filme Aquarius no Festival de Gramado (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Em seu seio familiar, Clara precisa lidar com os filhos e Ana Paula (Maeve Jinkings, de Boi Neon) quer que a mãe se desfaça do apartamento. “Ela está em uma passagem de vida, se separando, olhando para o futuro. Então chama a atenção a relação dela com o velho e o novo,” explica Maeve. “Ela vê a mãe não como uma pessoa, mas uma instituição.”

Aquarius tem estréia comercial marcada para 1º de setebro.

NÃO PERCA: A edição de agosto da Revista PREVIEW traz uma matéria completa sobre Aquarius, com entrevistas com elenco e equipe.

Publicidade

5 Comentário

Deixe o seu Comentário