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“Estava pronta para um desafio”, diz Rachel Griffiths

Depois de cerca de quinze anos de afastamento, Margaret (Rachel Griffiths, de Walt nos Bastidores de Mary Poppins) descobre que seu filho morreu. Por causa do abandono desde que ele era um bebê, não é permitido à mãe acompanhar o funeral, mas o acontecimento abala a mulher. Assim, ela se aproxima de Joe (Barry Keoghan, de 71: Esquecido em Belfast), um jovem baderneiro que servirá como substituto para o vazio que sente.

É essa personagem complexa que Rachel Griffiths defende em Mammal, longa que foi exibido em sessão especial no Festival de Gramado 2016. “Em momentos diferentes de nossas vidas, você procura por coisas diferentes”, disse a atriz em bate-papo com a plateia brasileira. “Depois de A Sete Palmos, eu voltei para as comédias. Mas quando esse roteiro apareceu, eu estava em um momento calmo. Estava pronta para um desafio.”

A atriz contou que foi uma escolha feira com o coração. “Estava interessada no tema da maternidade. Para algumas mulheres, não é a maravilha que a mídia retrata ou as celebridades dizem”, explicou. “Eu fiz muita pesquisa sobre mulheres que abandonaram seus filhos e depressão pós-parto.”

Cena do filme Mammal (2016)

Cena do filme Mammal (2016)

Além dos temas, as poucas falas de Margaret intensificam a dificuldade do trabalho. “O filme quase não tem trilha, e minha personagem não fala muito”, comenta. “Quando gravava essas cenas, eu sempre tinha músicas na cabeça, então imaginava que o filme seria repleto de música.”

No bate papo sediado na serra gaúcha, Griffths não se esqueceu de elogiar seu parceiro de tela. “Barry será um ator incrível em sua geração – o que é meio chato”, brincou. “Ele é um ator inexperiente, mas muito confiante. Nessas colaborações, você encontra uma maneira de abrir seu coração um para o outro.”

No entanto, Rachel não poderia sair do Palácio dos Festivais sem comentar sobre seu papel mais notório. “O piloto de A Sete Palmos era o melhor texto que já li”, opinou. “Tinha um impacto muito profundo, especialmente na representação das mulheres.”

Nesse assunto, relembrou como eram os tapetes vermelhos de premiações antes de campanhas como Ask Her More, contra o sexismo em entrevistas. “No meu tempo, só perguntavam de roupas e manicure”, afirma a atriz que foi indicada ao Oscar por Hilary and Jackie (1998).

No Brasil, Mammal será exibido pelo canal a cabo Sundance a partir de novembro.

Foto: Edison Vara/Pressphoto

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