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Estreia da Netflix, O Mecanismo reúne Selton Mello e José Padilha pela primeira vez

Participar de um projeto de José Padilha, diretor de sucessos como Tropa de Elite e a série Narcos da Netflix , era um desejo antigo de Selton Mello. O ator revelou que essa foi uma das maiores motivações para que integrasse o elenco da nova série brasileira original do streaming, O Mecanismo. “A gente conversou sobre um possível papel em Tropa de Elite 2 e ele veio com esse novo projeto. Mesmo eu não sendo tão ligado em política, achei o personagem incrível e a história tem importância para a atual situação no País”, conta Mello na coletiva de imprensa organizada pela Netflix. O elenco se reuniu no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

O Mecanismo é baseado na obra Lava Jato: O Juiz Sergio Moro e os Bastidores da Operação que Abalou o Brasil, de Vladimir Netto, sobre a Operação Lava Jato. Mello interpreta Marco Ruffo, delegado da Polícia Federal obcecado por acabar com o esquema de corrupção do colega de infância, o doleiro Roberto Ibrahim (Enrique Días). Ruffo tem ajuda da parceira Verena Cardoni (Carol Abras) na investigação de um dos maiores casos de desvio e lavagem de dinheiro do mundo. “Embora procuradores e juízes tenham conquistado fama internacional pelo combate à impunidade, a série tem como foco o menos conhecido trabalho policial, que é o real protagonista”, conta Carol. “É através da operação que o público vai entender como funciona a corrupção e como é possível desmontar um esquema bilionário com a equipe certa”, explica Padilha. “No Brasil o mecanismo da corrupção faz parte da lógica e da estrutura da política. É a norma, não a exceção.”

Também diretor da série, Daniel Rezende (Bingo) diz que adoraria que a produção gerasse discussão. “Mas não uma discussão de um partido contra o outro, porque O Mecanismo caminha na direção oposta dessa expectativa. Nós tornamos a série ficcional, apesar de nos inspirarmos em fatos reais”, diz. “Pensamos no mecanismo como uma roda que pega todas as esferas.”

José Padilha faz questão de afirmar não ter uma ideologia, e que não consegue se posicionar nem no viés esquerdista, nem defender a direita. “Defender um ou outro é uma loucura pra mim, porque está claro que são todos culpados. Eu não compro nem à esquerda nem à direita. Nunca comprei”, declara. “O Mecanismo começa uma década antes da operação Lava Jato, com policiais federais no sul do Brasil investigando um esquema de lavagem de dinheiro em 2003”.  Por fim, é revelado um esquema de propina entre políticos, construtoras e a Petrobrás na vida real, chamada de “Petrobrasil” na série.

Filmado no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Curitiba, O Mecanismo tem oito episódios e é a segunda série nacional produzida pela Netflix. Estreia nesta sexta, 23 de março, simultaneamente com 190 países. “São 35 anos fazendo o que faço, já trabalhei na Band, Globo, GNT e agora estou experimentado outra coisa. É muito estimulante saber que, na mesma hora em que meu pai vai ver a série, um cara no Japão e outro na Finlândia também vão. Isso é incrível”, conta Mello, que revela ser fã de séries da Netflix, como Stranger Things, The Crown, House of Cards e Breaking Bad. “A nossa série é mais Breaking Bad, só que mais sujo, porque o House of Cards brasileiro é mais pé na porta”, brinca.

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