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Nicholas Hoult é dirigido por Fernando Coimbra em Sand Castle

No Iraque de 2003, no início da Segunda Guerra do Golfo, um grupo de soldados americanos é enviado para os arredores de Baquba para consertar uma estação de bombeamento de água destruída por bombas norte-americanas. Entre eles está o novato Matt Ocre (Nicholas Hoult), o protagonista de Sand Castle, produção original da Netflix que estará disponível a partir desta sexta, 21. Dirigido pelo brasileiro Fernando Coimbra, de O Lobo Atrás da PortaSand Castle se passa na guerra, mas não é um filme bélico e sim sobre a jornada psicológica do personagem em um conflito do qual ele não queria fazer parte, mas que vai mudar suas perspectivas sobre a guerra e o ser humano.

O estilo intimista lembra Soldado Anônimo, de Sam Mandes, com Jake Gyllenhaal. “Matt Ocre não quer estar ali, não se encaixa e não compartilha da motivação que enxerga em seus companheiros”, explica Coimbra em entrevista à PREVIEW. “Soldado Anônimo não foi uma inspiração direta, até porque se passa na Primeira Guerra do Iraque, nos anos 90, mas gosto da estética clássica do Sam Mendes, pois a grande maioria dos filmes da segunda fase do conflito tem uma linguagem mais documental e queria justamente fugir disso.” Coimbra conta que o roteirista, Chris Roessner, se alistou pelo mesmo motivo do protagonista. “Ele não tinha dinheiro para pagar a universidade e uma das formas de conseguir era se alistar e servir por um tempo, porque depois o exército paga os estudos”, diz. “Só que o panorama mudou com o 11 de Setembro e ele foi enviado para o front, onde escreveu os diários que serviram de base para o roteiro.”

A história da estação de água bombardeada pelos americanos não é real, embora Roessner tenha vivido situações parecidas. Era comum, por exemplo, os americanos destruírem algo dos iraquianos e depois tentarem consertar. “Chris nos contou que eles achavam que podiam solucionar os problemas com o ‘american way’, mas aprenderam que dinheiro não compra tudo por lá”, comenta. “No filme, não basta ter um caminhão de água e recursos porque parte dos iraquianos não quer colaborar na reconstrução dos dutos, pois havia a ameaça de insurgentes.”

As filmagens foram na Jordânia e o castelo de areia do título é um enorme deserto. “A sensação no fim do dia era ter cinco quilos de areia no corpo”, lembra. “A gente nem percebe como ela vai entrando e no filme esse ambiente vai contaminando e corroendo os soldados de certa forma”. Coimbra conta que muitos dos monumentos que se vê em cena foram criados digitalmente. “Mesmo sendo um país pequeno, a variedade da paisagem desértica é enorme, então uma mesma região servia para recriar o Kuwait, Bagdá, Baquba, mas não tem esses palácios magnânimos que o Saddam Husseim construiu no Iraque. O palácio era uma casa imensa, mas aumentamos com efeitos especiais para torná-lo mais imponente.”

HOLLYWOOD

Henry Cavill e Fernando Coimbra

Além de Nicholas Hoult, outro destaque do elenco é Henry Cavill, que vive o capitão que gerencia a obra e o fornecimento de água à população. Ter um X-Men e o Superman no set não intimidou o diretor. “Nicholas estava no projeto antes de mim, é um cara simples, sem estrelismo, e Henry veio com muita garra e interessado em abordar o tema, pois tem familiares no exército”, elogia. “Não havia exigências especiais, ficamos todos no mesmo hotel e viramos uma comunidade muito entrosada.”

Coimbra estava em Bogotá, na Colômbia, quando conversou com PREVIEW por telefone. Havia acabado mais um dia nas filmagens da terceira temporada de Narcos. Ele dirigira episódios do primeiro ano e não participou do segundo para poder comandar Sand Castle. Mas não foi a série que o levou a Hollywood e sim sua estreia no cinema, o premiado O Lobo Atrás da Porta – por sinal, um imperdível thriller de suspense que envolve o desaparecimento de uma criança e um triângulo amoroso. “Não imaginava que faria esse sucesso nos Estados Unidos, por ser um filme simples, pequeno, de baixo orçamento. Mas ele estreou no Festival de Toronto, que é bem voltado para o mercado americano, e cheguei lá e tomei um susto porque vinha agentes e produtores atrás de mim perguntar se tinha vontade de filmar nos Estados Unidos, e claro que eu tinha, mas achava que isso seria mais para frente.”

Ele entrou de supetão na lista de cineastas brasileiros que alcançaram Hollywood, entre eles José Padilha (Robocop), Fernando Meirelles (O Jardineiro Fiel), Walter Salles (Na Estrada) e Afonso Poyart (Presságios de um Crime). Admite que temia a experiência, principalmente pelo desabafo público de Heitor Dhalia, que não escondeu o descontentamento pela interferência dos produtores nos sets de 12 Horas. “Não queria passar por isso, mas senti que os produtores de Sand Castle queriam um filme de diretor e não um enlatado sem personalidade”, afirma. “Mostrei minha visão e eles gostaram, mas havia sempre um receio e evidentemente existe um diálogo, você tem de batalhar por suas ideias, o que é bem diferente de quando escreve e produz o próprio filme, além de a pressão ser maior por não haver dinheiro incentivado, há uma pessoa pagando por aquilo e espera um retorno.”

Com o sucesso mundial de Narcos, as portas se abriram de vez para Coimbra em Hollywood. Seu próximo projeto, porém, é em solo nacional. “Escrevi Enforcados quando terminava o Lobo”, comenta. “É um thriller tragicômico que fala de corrupção e com o Brasil nesse show de horrores, ficou ainda mais atual.” As filmagens estão previstas para o segundo semestre.

ONDE VER: NETFLIX, a partir de 21 de abril.

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