ENTREVISTAS ESTREIAS

Hector Babenco descreve escrever Meu Amigo Hindu como “um ato compulsivo”

Um cineasta (Willem Dafoe, de A Culpa É das Estrelas) é diagnosticado com câncer e flerta com a morte, enquanto sua vida pessoal vê a passagem de algumas mulheres. A história de Meu Amigo Hindu (2015), que estreia em 3 de março, traz muitos pontos de contato com a biografia de Hector Babenco (O Passado), que assina o roteiro e a direção do filme. Apesar disso, ele afasta a definição.

“Eu recusei mais veementemente possível a ideia da autobiografia porque não escrevi o filme para isso”, disse o diretor em coletiva de imprensa. “Escrevi essa história porque era um ato compulsivo.”

Um indício do distanciamento da autobiografia está no processo com Dafoe. “Nós não conversamos muito”, relata o ator. “Havia um roteiro forte e eu fui o material criativo para ajuda-lo a fazer o que ele queria fazer – isso não quer dizer que fiquei tomei uma atitude passiva.”

A parceria surgiu quando o ator estadunidense esteve em cartaz nos palcos de São Paulo. Depois da aproximação veio o acordo, o que obrigou o roteiro a ser traduzido. “Eu tive uma imensa dificuldade de compor o elenco, porque todos os atores que procurei estavam com compromissos de longo prazo”, explicou. “Então tivemos que fazer a versão em inglês, o que eu não acho uma traição.”

A barreira linguística provou-se um novo desafio ao elenco. “Como a personagem é muito próxima a mim, foi positivo porque a outra língua deu um distanciamento”, ponderou Bárbara Paz (Gata Velha ainda Mia). “Eu acho que não conseguiria na minha língua, em inglês foi uma outra persona.”

“É mais desafiador porque você não está no conforto da sua própria língua”, disse Maria Fernanda Cândido (O Amuleto). “Se a gente está conectado com os outros atores, o momento está lá.”

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