ENTREVISTAS ESTREIAS

Jayme Monjardim aposta no poder da palavra em O Vendedor de Sonhos

O pessimismo é um câncer da alma.” “Não tropeçamos nas grandes montanhas, mas nas pequenas pedras.” Frases como essas transformaram o psiquiatra Augusto Cury em um fenômeno. Seus livros são publicados em mais de 70 países e as vendas se aproximam dos 30 milhões de exemplares só no Brasil. Em 2009, ele recebeu o prêmio de melhor ficção do ano da Academia Chinesa de Literatura por O Vendedor de Sonhos, que vendeu 3 milhões de exemplares.

O livro conta a história de um renomado psicólogo que está prestes a cometer suicídio quando é resgatado pelas palavras e atitudes de um mendigo conhecido como Mestre. Ele se apresenta como um vendedor de sonhos e convida o sujeito a segui-lo em sua jornada pela cidade, onde leva ajuda, esclarecimento e esperança a quem precisa. Mas o Mestre também tem um passado obscuro, que se desvenda aos poucos.

Na adaptação escrita por L.G. Bayão (O Shaolin do Sertão e Irmã Dulce) e dirigida por Jayme Monjardim, o Mestre é interpretado pelo uruguaio César Troncoso (O Banheiro do Papa), e Dan Stulbach (Meu Amigo Hindu) dá vida ao psicólogo Julio César. É o terceiro longa de Monjardim, depois de Olga (2004) e O Tempo e o Vento (2013). “Prefiro fazer poucos filmes que sejam lembrados do que muitos esquecíveis”, diz o cineasta. “Acredito que com O Vendedor de Sonhos estou contribuindo de alguma maneira para uma mudança no mundo.”

Jayme Monjardim

Jayme Monjardim

Monjardim explica que é a primeira vez que faz um longa em que a palavra é a protagonista, e garante não ligar mais para os rótulos que recebeu nos 30 anos de carreira, grande parte dedicados a novelas e minisséries. “Por um tempo, eu era visto como o homem do campo, especialista em filmar o nascer e o pôr do sol”, comenta. “Também me achavam muito bom em produções de época. Aí tive de fazer novelas urbanas para provar que era capaz.” Agora ele se diz despreocupado com a opinião dos outros. “Tenho 60 anos, só quero contar minhas histórias e ficar feliz com o produto final.”

Quando recebeu o roteiro de Bayão, o cineasta não conhecia a obra de Augusto Cury, mas se apaixonou pela história e decidiu conhecer o escritor pessoalmente. “Cury usa palavras simples, pouco rebuscadas e de fácil compreensão. O filme é assim também, quer fazer o público refletir sobre o caminho da própria vida, sem ser piegas.” Rodado em São Paulo, O Vendedor de Sonhos destaca a paisagem de concreto, com prédios e pontes modernas, mas ilumina a desigualdade com favelas embaixo de viadutos. O Mestre mora em uma delas. “Você sabe que é São Paulo, mas poderia ser uma grande metrópole em qualquer país do mundo”, afirma.

Jayme Monjardim sabe que alguns vão curtir e valorizar as mensagens transmitidas pelo Mestre, e que outros não vão se interessar. Mas se depender dos 3 milhões de leitores do livro, a adesão ao filme é promissora. “Vou te dizer que o Cury provocou grandes mudanças na minha vida. Tinha uma visão de certas coisas e ele foi me explicando e me ajudou a ver o mundo de outra forma”, complementa.

 

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