ENTREVISTAS ESTREIAS

Lin Shaye, a madrinha do terror, finalmente protagonista em Sobrenatural: A Última Chave

Lin Shaye começou a atuar em 1968, graças ao irmão Bob Shaye, que trabalhava na produtora New Line Cinema. “Bob foi o primeiro a me dar grandes oportunidades no cinema, quando eu era apenas uma estudante”, conta. “Ele dizia aos cineastas ‘Ei, coloquem minha irmã no seus filmes!’. Foi assim que ganhei papéis em A Hora do Pesadelo (1984) e Criaturas (1986), e nunca mais parei.” A atriz esbanjou simpatia nessa conversa exclusiva com PREVIEW, durante visita ao Brasil em dezembro do ano passado.

Você virou uma grande estrela do gênero horror. Sente a responsabilidade por ser a “madrinha dos filmes de terror”?

LIN SHAYE – Eu adoro essa responsabilidade. Amei interpretar todos os personagens que recebi nesses anos e o fiz com muita gratidão. Atuei também em comédias, dramas e me sinto privilegiada por minha longa carreira no cinema. Sinto essa responsabilidade e dou o máximo de mim. Sou atraída por boas histórias, bons personagens e boas pessoas com quem eu possa trabalhar, esses são sempre meus critérios para fazer qualquer coisa. Adoro todos os gêneros. É um desafio e me divirto tanto que nem parece um trabalho.

 

Verdade que fez até musicais?

Trabalhei em vários musicais quando cursava arte na Universidade de Michigan, apesar de não saber cantar. Mas em Michigan eu era uma historiadora e não pensava em seguir carreira de atriz. Depois que me formei, meu primeiro emprego foi no Museu Metropolitano de Arte em Nova York, onde costumava entrar às oito horas da manhã para guiar os visitantes pelas exposições do Egito e falar sobre fantasmas. Ainda tenho arrepios de pensar nisso. Aquele lugar era assustador! Depois de um tempo percebi que faltava algo em mim e queria muito estar em peças de teatro. Então fui cursar atuação em Nova York. O fato de meu trabalho em filmes de terror ter se tornado tão grande na minha vida é uma surpresa enorme. Sou muito agradecida.

A dupla Specs e Tucker responde pelos momentos engraçados da trama. Como é trabalhar com os dois novamente?

Eles são adoráveis, fantásticos, as pessoas mais engraçadas que já conheci e extremamente inteligentes. Leigh (Whannell) e Angus (Sampson) se conhecem desde garotos, estudaram juntos na Austrália, onde nasceram. Eles nos faziam rir nos sets e aliviavam a tensão do terror atrás e à frente das câmeras.

Elise (Lin Sheye) entre Specs (Leigh Whannell) e Tucker (Angus Sampson)

Como foi trabalhar com o diretor Adam Robitel?

Foi incrível. O primeiro diretor foi James Wan, o segundo Leigh Whannell, roteirista de todos os quatro longas e diretor do terceiro. Adam é como se fosse o novo “manda-chuva no pedaço” (risos). Ele já tinha experiência em filmes de terror, sabia o que estava fazendo, mas escutava a todos e era aberto a sugestões. Fazia questão de se certificar de que todos estavam bem no set. Leigh o ajudou muito também, com todo suporte.

Quais são seus planos agora?

Tenho novos projetos para este ano, produções de baixo orçamento como Gothic Harvest e Killing Winston Jones. Você precisa ver The Midnight Man, que fiz com Robert Englund (o Freddy Krueger). Foi muito bom voltar a trabalhar ao lado de Robert tantos anos depois de contracenarmos em A Hora do Pesadelo. Esse filme é adaptação de uma creepypasta (lenda urbana) sobre uma menina e seus amigos, que jogam um game assustador e acabam convocando o “Midnight Man”. Essa criatura gosta de usar os medos dessas crianças contra elas mesmas. É uma ótima história de terror, você vai gostar.

O que faz um filme ser assustador para você e por que acha que o gênero tem tantos fãs?

Acho que o medo é uma emoção tão pura e poderosa que é importante que seja sentido pelas pessoas. Todos temos medo de algo e existe o bom e o mau desse sentimento. Particularmente, no cinema gosto do horror psicológico, é muito mais assustador. O terror psicológico tem o poder de entrar em você e se espalhar, mesmo que nem note isso acontecendo.

Qual seu filme favorito de terror?

O Iluminado, de Stanley Kubrick, e Psicose e Os Pássaros, de Alfred Hitchcock, do qual sou grande fã. Repulsa ao Sexo, de Roman Polanski, com Catherine Deneuve, é muito, muito triste. Assisti quando era jovem, me deixou frustrada e prometi a mim mesma que veria novamente, mas ainda não consegui. Das séries de TV, adoro Além da Imaginação.

Tem alguma cena inesquecível da personagem Elise Rainier?

Essa é difícil, mas acho que a melhor cena é nesse novo filme, porque há momentos em que Elise se sente mais vulnerável. Ela é uma mulher forte e desafia o medo para ajudar as pessoas, então vê-la vulnerável em algumas cenas é o melhor para mim.

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