CRÍTICAS ENTREVISTAS ESTREIAS

Roteirista de As Confissões comenta parceria com Andò e Servillo

Em Viva a Liberdade (2013), o irmão gêmeo maluco de um político em crise toma o seu lugar em segredo. Nessa nova colaboração entre o diretor Roberto Andò, o roteirista Angelo Pasquini e o ator Toni Servillo, o tom de sátira dá lugar a uma abordagem mais sisuda, agora no plano econômico. Um hotel de luxo na Alemanha sedia um encontro do G8, em que será votada a adoção de uma manobra que afetará gravemente o mundo. Além dos oito ministros, também estão ali um monge italiano, um roqueiro e uma escritora. Servillo faz o padre de poucas palavras que se torna peça fundamental do mistério que envolve uma morte que ameaça mudar o rumo da votação. O tema é denso, mas Andò deixa o economês de lado para examinar essa pequena elite que comanda o mundo, e conta com o carisma de Servillo para desestabilizar na pele desse religioso com uma visão particular das coisas mundanas.

Cotação: ***

PREVIEW conversou com o roteirista Angelo Pasquini durante o Festival do Rio

Viva a Liberdade era uma sátira política, mas As Confissões investe no drama para falar de economia. Por quê?  

ANGELO PASQUINI – Porque a política italiana podia ser tratada em um tom leve e satírico. Em As Confissões, não havia a intenção de fazer um drama. Foi a história que nos levou para esse tom mais escuro. Mas o personagem do monge tem algo de irônico e mesmo a trama tem um elemento de fábula, é um conto moral.

Entre os membros do G8 há três convidados: o monge, o roqueiro e a autora de best-seller. Como definiu esses três tipos?

A história nasce de um fato real. Em um dos encontros do G8, eles convidaram o Bono, do U2, que representava a campanha contra a pobreza nos países emergentes, então pegamos essa ideia para criar o personagem do músico. A escritora é uma idealista que colabora com o padre quando nota que as motivações dele são justas. Já o monge é uma figura misteriosa e não compreende o que está fazendo lá até ser chamado pelo diretor do Fundo Monetário Internacional, para ouvir sua confissão.

O padre tem uma paixão pelo som dos passarinhos e o ministro alemão não desgruda de seu cachorro. Qual a importância dos animais no filme?

O som dos pássaros nos ajuda a investigar o íntimo do monge, que fala muito pouco. É difícil revelar o invisível sem palavras, então o som dos pássaros é uma metáfora de sua espiritualidade. O cão é um símbolo do aspecto selvagem e brutal da economia. Embora seja uma ciência exata, no fundo segue uma lógica instintiva.

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