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Tatá Werneck fala de sua primeira protagonista, em TOC

A primeira protagonista de Tatá Werneck no cinema pode causar estranheza em quem a conhece pelo humor escrachado que faz na TV. É uma Tatá mais comedida que se vê em TOC – Transtornada, Obsessiva, Compulsiva, de Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic. Ela é Kika, uma atriz famosa em crise existencial, que tem de lidar com um fã que a persegue (Luis Lobianco), o namorado que só pensa em sexo (Bruno Gagliasso), e uma agente ambiciosa  (Vera Holtz).

Como se não bastasse, Kika sofre de TOC – pisar nas listas da calçada, nem pensar. A trama pende para a comédia romântica quando conhece o atendente de uma livraria (Daniel Furlan) que lhe mostra uma perspectiva diferente da vida. Tatá tem carisma e cercou-se de coadjuvantes experientes que fazem diferença, sem falar das participações especiais de Ingrid Guimarães e de um galã dos anos 80 que havia tempo não aparecia nas telas.

Em conversa com PREVIEW, Tatá fala das expectativas para a estreia, nesta quinta, dia 2.

O humor que faz na TV é muito mais escrachado do que o de TOC, que funciona como uma comédia romântica. E a Kika é um tanto deprimida. Por que a personagem a atraiu e o quanto colaborou no roteiro?

TATÁ Werneck – Na verdade, estamos trabalhando nesse filme já faz algum tempo. Lá no começo, a ideia era contar uma história sobre uma personagem com TOC, mas depois acabou se transformando em uma história sobre essa mulher em busca da felicidade, tendo o TOC como pano de fundo. Mas, quando começamos a pensar no filme, a realidade da Kika ainda não era a minha realidade. Anos depois, quando fui ler o roteiro, a personagem tinha se transformado em uma mulher famosa tentando ser feliz em meio às exigências da sua vida profissional. Não é o meu caso agora, mas reconheço plenamente essa busca pela felicidade da Kika diante do sucesso. Como o Teo e o Paulinho (Teodoro Poppovic e Paulinho Caruso, roteiristas e diretores do filme) me conhecem muito, colocaram essas características na personagem. Tem uma sequência, por exemplo, em que Kika está super triste, usando uma peruca para fazer uma cena. Quantas vezes eu não tive que gravar cenas de comédia quando estava triste? Meu avô morreu no dia em que fui gravar a estreia de Tudo pela audiência. Eu tinha que estar ali exalando alegria, quando na verdade estava arrasada. O filme fala sobre essa realidade que a gente não mostra e que as pessoas também não querem muito saber, sabe? Você tem que estar 24 horas por dia bem, sempre disponível.

Você chegou a conversar com alguém com TOC para entender melhor os sintomas desse transtorno?

Sim. Um dos meus melhores amigos tem TOC. Eu convivia muito com ele e vi o quanto aquilo, visto de fora, despertava o riso – ainda que um riso repleto de angústia. Vi o sofrimento dele, vi como ele ficava refém daquilo. Comecei a pensar como as pessoas tentam controlar suas vidas o tempo inteiro, mas na verdade não temos controle sobre quase nada. Seria um filme sobre o TOC, mas isso virou um ponto de partida para falar sobre a nossa necessidade de controlar tudo em busca da felicidade. E o quanto isso faz a gente sofrer. Porque parece que a gente sempre precisa de algo mais para estar feliz, e o que a gente tem, não basta.

Sua personagem é cercada por três coadjuvantes impagáveis, vividos por Vera Holtz, Bruno Gagliasso e Daniel Furlan. Pode contar um pouco da dinâmica das filmagens?

O Dani foi uma história incrível. Para o papel dele, confesso, tinha pensado em outra pessoa. Mas um amigo que admiro muito me deu o toque: você tem que conhecer o Dani. Vi duas cenas e bastaram. Falei: “Quero o Daniel!”. Na hora. E a gente se deu muito bem, foi maravilhoso. Ele virou meu parceiro, foi muito generoso, incrível. Amo muito o que ele faz. Apesar de ser muito engraçado, ele não se altera, sabe? É complicado você trabalhar com uma pessoa que você só vai conhecer no set. Mas deu muito certo, ficamos amigos e somos muito amigos até hoje. Do Bruno eu sou muito fã, ele é muito talentoso. Ele poderia ser só um cara lindo e de sucesso, mas é isso porque tem muito talento mesmo, e é muito disponível. Acho que ele ficou incrível no filme. E a Vera é uma gênia. A gente brincava, no set, que ela é um totem. A Vera é uma fonte de energia inesgotável. Ela está sempre muito centrada e repleta de animação. A gente estava meio down e chegava a Vera, a hora que fosse, de madrugada, num brilho só.

Há algumas participações muito especiais, como a de Ingrid Guimarães e Mário Gomes. Ajudou e definir esse elenco?

A Ingrid é minha grande parceira, eu amo. E a gente brinca que tudo o que uma faz, a outra tem que pelo menos dar uma passadinha… Sou muito fã dela. E Ingrid me chamou para minha primeira participação no cinema, no De pernas pro ar 2. Em TOC, Ingrid tem essa participação especialíssima. Por acaso, a cena com ela foi toda filmada de improviso. Ingrid chegou no set e perguntou: “Então, o que vamos fazer?”. Improvisamos, o Paulinho e Teo filmaram tudo e escolheram as melhores partes. Temos muita afinidade, então improvisamos bastante. E todo o resto do elenco acho que foi uma escalação incrível, o Lobianco… que eu também sou muito fã, adoro esse cinismo dele, aquele jeito de jogar o texto fora, mas sempre muito engraçado. A Patricia Travassos, o Mário Gomes… A participação dele também é um achado.

Entre cenas de humor, há sequências realmente dramáticas e outras de tensão, como o confronto com o personagem de Luis Lobianco. Houve uma preocupação de inovar no tom do humor e investir nessa mescla de gêneros?

Sim, acho que o Teo e o Paulinho são muito talentosos. O filme tem muito o nosso DNA, o que a gente gosta de fazer e de ver. E traz uma estética que ainda não tinha visto nos filmes brasileiros. TOC vai para um viés diferente das comédias, até mesmo das que eu estou acostumada a fazer. Vai ser um bom teste para esse novo tipo de comédia, que não parece tão concentrada só em fazer rir.

Kika é sua primeira protagonista no cinema. Qual foi o maior desafio e a maior lição dessa experiência?

Eu sou uma aprendiz ainda né, eu tenho pouquíssima experiência no cinema. Mas é muito legal saber que as pessoas acompanham histórias contadas no plural, mas também as que são contadas em primeira pessoa. É muito emocionante se ver assim na tela grande em um trabalho que eu acredito tanto como o TOC, mas eu to ainda tô aprendendo rs.

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