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CCRJ exibe filmes espanhois que driblaram a censura de Franco

A Caixa Cultural Rio de Janeiro recebe, de 30 de outubro a 11 de novembro, a mostra Os filmes que driblaram a censura de Franco. Na programação, com curadoria da espanhola Marta Sánchez, 12 longas-metragens espanhóis pouco vistos no Brasil e três encontros sobre a importância histórica e estética da produção no período. O projeto tem apoio do Ministério da Cultura da Espanha (por meio do Instituto de Cine y Artes Audiovisuales), da Embaixada da Espanha e do Instituto Cervantes.

 Pouco se conhece no Brasil sobre o cinema espanhol produzido durante o longo período em que Francisco Franco esteve no poder (1939-1975). Entre o cinema surrealista de Buñuel e as cores da Espanha contemporânea de Almodóvar, existe uma produção importante, realizada muitas vezes em condições adversas. Durante a ditadura franquista, surgiram ou se consolidaram cineastas como Juan Antonio Bardem, Luis García Berlanga, Carlos Saura e outros, que nem sempre tiveram o reconhecimento que mereciam.

 “Entre Buñuel e Dalí (Un perro andaluz,1929) e o primeiro filme de Almodóvar (Pepi, Luci e Bom, 1980), muitos diretores desenvolveram uma gramática audiovisual que seria usada por cineastas espanhóis posteriormente”, observa a curadora Marta Sánchez. “Depois da Guerra Civil, dos anos do regime de Franco até a chegada da democracia, esses cineastas burlaram a censura e conseguiram falar sobre problemas, esperanças e decepções da sociedade em que viviam. A mostra homenageia a liberdade de expressão e a coragem e inteligência dos que souberam encontrar maneiras alternativas de se expressar para satisfazer a censura sem abandonar os temas que queriam tratar.”

 A censura oficial no cinema espanhol entrou em vigor um ano após o golpe militar de 1936, que desencadeou uma guerra civil de três anos. Mesmo com algumas mudanças nas leis, a censura estabelecida se manteve até bem depois da morte de Franco, em 1975. A mostra reúne 12 filmes desse período, que serão exibidos em formato digital. “Com exceção de Viridiana, os filmes são todos de difícil acesso no Brasil e não estão disponíveis em versões digitais brasileiras ou nas cinematecas locais”, explica Julia Dias, coordenadora da mostra. “Neste momento político do Brasil, em que o conservadorismo tem ganhado espaço e expressões artísticas têm sido ameaçadas por visões morais e religiosas, é especialmente importante discutir as questões trazidas na mostra”, completa.

 Atividades extras:

Como parte da programação, serão realizados três encontros durante a mostra, com a curadora Marta Sánchez, os professores de cinema Ángel Diez (Escola Darcy Ribeiro) e Patrícia Rebello (UERJ), o filósofo Alexandre Costa (UFF) e a historiadora Samantha Quadrat (UFF), que discutirão tanto a importância da produção apresentada quanto as relações entre cinema e política, em especial durante contextos autoritários.

Confira a programação:

Programação:

30 de outubro (terça-feira)

17h – Furtivos (1975), de José Luis Borau, 82 min, Blu-ray, 18 anos

19h – Bem-vindo, Mister Marshall! (1952), de Luis García Berlanga, 78 min, Blu-Ray, Livre

31 de outubro (quarta-feira)

17h – Morte de um ciclista (1955), de Juan Antonio Bardem, 84 min, Blu-Ray, 18 anos

19h – O espírito da colmeia (1973), de Víctor Erice, 98 min, Blu-Ray, Livre

1º de novembro (quinta-feira)

17h – A caça (1965), de Carlos Saura, 88 min, Blu-Ray, 18 anos

18h50 – A tia Tula (1964), de Miguel Picazo, 107 min, Blu-Ray, 18 anos

2 de novembro (sexta-feira)

15h – Nove cartas a Berta (1965), de Basílio Martín Patino, 95 min, digital, Livre

17h – Masterclass Calar dizendo, dizer calando – Cinema sob censura, com Marta Sanchez

19h10 – Viridiana (1961), de Luis Buñuel, 90 min, Blu-Ray, 18 anos

3 de novembro (sábado)

14h30 – O espírito da colmeia (1973), de Víctor Erice, 98 min, Blu-Ray, Livre

16h30 – Sulcos (1951), de José Antonio Nieves Conde, 100 min, Blu-Ray, Livre

19h – Furtivos (1975), de José Luis Borau, 82 min, Blu-ray, 18 anos

4 de novembro (domingo)

16h – A tia Tula (1964), de Miguel Picazo, 107 min, Blu-Ray, 18 anos

18h30 – Morte de um ciclista (1955), de Juan Antonio Bardem, 84 min, Blu-Ray, 18 anos

6 de novembro (terça-feira)

17h – O carrasco (1963), de Luis García Berlanga, 91min, Blu-Ray, 18 anos

19h – O Crime de Cuenca (1979), de Pilar Miró, 88 min, Blu-Ray, 18 anos

7 de novembro (quarta-feira)

17h – Debate O nuevo cine espanhol e outras estéticas de resistências, com os professores de cinema Ángel Diez (Escola Darcy Ribeiro)** e Patrícia Rebello (UERJ)

19h10 – A caça (1965), de Carlos Saura, 88 min, Blu-Ray, 18 anos

8 de novembro (quinta-feira)

17h – Viridiana (1961), de Luis Buñuel, 90 min, Blu-Ray, 18 anos

19h – Minha querida senhorita (1971), Jaime de Armiñán, 84 min, Blu-Ray, 12 anos

9 de novembro (sexta-feira)

17h – Bem-vindo, Mister Marshall! (1952), de Luis García Berlanga, 78 min, Blu-Ray, Livre

19h – Nove cartas a Berta (1965), de Basílio Martín Patino, 95 min, digital, Livre

10 de novembro (sábado)

15h – O Crime de Cuenca (1979), de Pilar Miró, 88 min, Blu-Ray, 18 anos

17h – Debate Cinema, censura e memória ontem e hoje, com o filósofo Alexandre Costa (UFF) e a historiadora Samantha Quadrat (UFF)

19h10 – O carrasco (1963), de Luis García Berlanga, 91min, Blu-Ray, 18 anos

11 de novembro (domingo)

16h – Minha querida senhorita (1971), Jaime de Armiñán, 84 min, Blu-Ray, 12 anos

18h – Sulcos (1951), de José Antonio Nieves Conde, 100 min, Blu-Ray, Livre

Serviço:

Mostra Os filmes que driblaram a censura de Franco

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1 (Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro – Metrô e VLT: Estação Carioca)

Data: 30 de outubro a 11 de novembro de 2018 (terça-feira a domingo)

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