ESPECIAIS ESTREIAS

Contação de histórias à italiana

A necessidade de contar histórias faz parte da natureza humana. É por isso que nos reunimos em uma sala de cinema, em volta de uma fogueira ou nas poltronas de um teatro. Há no momento dois filmes italianos em cartaz que nos fazer pensar na forma como tais histórias são contadas.

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Crítica: Maravilhoso Boccaccio
Crítica: O Conto dos Contos

O Conto dos Contos e Maravilhoso Boccaccio trazem uma série de tramas oriundas de referências clássicas, mas narradas de formas distintas. Um utiliza a estrutura de episódios amarrados por uma trama maior onde se evidenciam os narradores, enquanto o outro se vale de enredos que se desenvolvem paralelamente.

Maravilhoso Boccaccio se inspira no Decamerão (1351), de Giovanni Boccaccio, para mostrar um grupo de dez pessoas que foge da Florença tomada pela peste no século 14. No isolamento, cada um deles fica responsável por contar uma história, os tais contos do Decamerão. As tramas se provam mais interessantes do que seus contadores, o que torna as passagens no isolamento mais tediosas. O filme explora belas locações, mas poderia ficar apenas nos contos.

O Conto dos Contos não tem a presença de narradores, embora seja baseado nas histórias narrada no Pentamerão (1634), de Giambattista Basile. As tramas em paralelo não favorecem e o filme poderia ser episódico, mesmo com intertítulos para separar cada núcleo.

Com elenco grandioso, a produção é falade em inglês – o que não é um problema, uma vez que o cenário é totalmente fictício e fantasioso. Outra diferença está no pudor. Maravilhoso Boccaccio importa a repressão sexual dos contadores para as cenas dos contos, o que dá um charme inocente. Por outro lado, O Conto dos Contos não tem problemas em explorar a nudez, o que aproxima o longa do seriado Game of Thrones (2011-2016).

No final das contas, ambos os filmes oferecem encantos, em suas semelhanças e diferenças. O que vale aqui é saciar a necessidade de narrativas intrigantes.

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