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Que Coringa é esse?

O arqui-inimigo do Homem Morcego é um dos mais icônicos personagens do mundo dos quadrinhos. Por isso, quando o Coringa vai para outra mídia, seus intérpretes ficam sob os holofotes. Não haveria de ser diferente com a releitura do vilão apresentada por Jared Leto (Clube de Compras Dallas) em Esquadrão Suicida.

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Crítica: Arlequina é a melhor coisa de Esquadrão Suicida

A última encarnação do palhaço foi a memorável e oscarizada intepretação de Heith Ledger em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008). O ator australiano conseguiu deixar para trás a memória da atuação de Jack Nicholson no mesmo papel em Batman (1989). Agora que é a vez de Leto, o legado é ainda maior.

O ator-cantor levou para as telas uma versão mais gângster moderno do Coringa, que aparece em cena menos do que a maioria dos espectadores esperava. A opção parece mais alinhada com o tom do Universo Cinematográfico DC, iniciado em O Homem de Aço (2013), expandido em Batman vs. Superman: A Origem da Justiça (2016) e concretizado com Esquadrão Suicida. O Coringa de Leto é o que mais combina com o Bruce Wayne de Ben Affleck (Garota Exemplar).

Apesar disso, muitos questionam e comparam, mas a verdade é que qualquer outra versão do vilão ficaria estranha na linha atual da DC nos cinemas – seria como colocar o Jesus Cristo de Jesus Cristo Superstar (1973) no vindouro Ben-Hur. Nas HQs, o Coringa aterroriza Gotham há mais de 75 anos e, nesse tempo, o criminoso foi retratado de diversas maneiras. Portanto, se o assunto é fidelidade com o personagem, há um campo vastos de muitas opções de abordagem.

O fator Arlequina: amor ou abuso?

Outra questão levantada por Esquadrão Suicida é a romantização do relacionamento abusivo de Coringa e Arlequina. Como o longa adota muito mais o ponto de vista de ex-médica vivida por Margot Robbie (A Lenda de Tarzan), a apresentação da relação como uma história de amor é justificável, uma vez que para ela é assim que as coisas são.

Cena do filme Esquadrão Suicida (2016)

Cena do filme Esquadrão Suicida (2016)

Apesar do roteiro não evidenciar totalmente quão danoso é o namoro, ainda há uma saída, contanto que nos filmes vindouros se escancare esse assunto. Em sua versão cinematográfica, Arlequina é uma guerreira mais valorosa do que jamais visto nas animações ou quadrinhos – praticamente uma Viúva Negra da DC. Por isso, além da sensação de poder que Coringa extrai do namoro, ela é uma arma eficaz. Essa característica explicaria a motivação por trás das grandes manobras que o vilão executa para salvá-la em Esquadrão Suicida. Não amor, mas posse e interesse.

Evidenciar o relacionamento abusivo nos filmes é importante por dois motivos. Primeiro, há a fidelidade, pois nesse caso existe uniformidade: Coringa nunca se dedicou tanto por Arlequina, sempre foi um namorado omisso (na melhor das hipóteses). Porém, o essencial é o exemplo que se deixa. É irresponsabilidade demais não denunciar o abuso ao qual ela é submetida. Em um tempo no qual tanto se fala de empoderamento e representatividade femininos, todo esforço para ter uma mulher forte a frente de um blockbuster cai por terra se não se condenar o fato de que ela é um joguete na mão de um namorado abusador.

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