ESPECIAIS ESTREIAS

Quem pediu essa sequência?

Ao se verificar o calendário de grandes estreias no cinema, a maioria esmagadora dos lançamentos desse porte são adaptações, spin-offs, refilmagens e sequências não-requisitadas. Desse último grupo, temos Vizinhos 2, que entrou em cartaz no Brasil em 19 de maio.

A primeira comédia fez algum sucesso (ou a realização da continuação não aconteceria de jeito nenhum), mas não é o tipo de produção que comove as massas, gera memes nas redes sociais e cria uma atmosfera de quero mais. Mesmo assim, o segundo capítulo está aí e engorda a lista que inclui Invasão a Londres e O Caçador e a Rainha de Gelo, apenas entre as estreias desse ano.

Essa tendência não tem a ver com teimosia ou cegueira dos produtores para os anseios das plateias, tem a ver com cautela no investimento. Um filme totalmente novo é um negócio muito arriscado e é mais seguro levar para a tela material com o qual o espectador já tenha alguma familiaridade. Daí a profusão de adaptações (de livros, quadrinhos, games e o que mais se possa imaginar) e outras releituras. Se pararmos para pensar, o último grande evento 100% de cinema foi Avatar (2009), cujas sequências estão mais adiadas do que conclusão de obra de metrô. E antes dos ETs azulados de James Cameron, o fenômeno prévio foi Matrix (1999).

Por isso, muitas vezes o que seria um filme original é travestido de sequência. É o que parece ter acontecido com Duro de Matar 5 (2013), no qual Bruce Willis é um coadjuvante de luxo, e O Legado Bourne (2012), o “filme do Bourne sem o Bourne”. Outra manobra é adaptar livro e socar no meio de uma franquia de sucesso, como ocorreu em Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (2011), o mais diferente longa da série.

Se as continuações sem alarde incomodam, é melhor se acostumar. Ainda em 2016, há várias delas agendadas, a começar por Alice Através do Espelho em 26 de maio. Até o Natal, há novas aventuras das franquias moribundas A Era do Gelo 5 (7 de julho) e Anjos da Noite – Guerra de Sangue (27 de outubro), e ainda Assassino a Preço Fixo 2 – A Ressureição (25 de agosto), sequência-de-um-remake de filme do Charles Bronson. Pelo menos no cinema, a reciclagem está em alta, para o bem ou para o mal.

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