ESPECIAIS ESTREIAS

Super pancadarias e o futuro dos heróis

Hoje em dia, o gênero de super-heróis é um dos mais rentáveis do cinema, com grandes lançamentos todos os anos. Alguns desses títulos em 2016 trazem brigas entre os próprios mocinhos, mas com motivações diferentes, tanto dentro quando fora da tela – o que dá um panorama atual do mercado.

Batman vs. Superman: A Origem da Justiça (2016) apresenta um encontro há muito antecipado. No fundo da Nova York devastada de Eu Sou a Lenda (2007), já havia um fictício cartaz do filme com lançamento para 2012. Com um atraso digno das obras do metrô, o longa chegou aos cinemas quatro anos depois do previsto, mas não é apenas a chateação da espera que complica a vida do filme.

Nesse tempo entre a aventura distópica de Will Smith e a estreia do embate superlativo, a concorrência estabeleceu um império cinematográfico. Na época, a Marvel tinha tomado as primeiras atitudes para controlar mais de perto as adaptações cinematográficas de seus personagens e coloca-los todos no mesmo universo, a princípio no guarda-chuva da Paramount até a Casa das Ideias ser comprada pela Disney. Assim, a empresa embolsa bilhões em bilheterias de Homem de Ferro (2008) até Capitão América: Guerra Civil (2016), e deve seguir nessa toada lucrativa nos próximos anos.

Cena do filme Capitão América: Guerra Civil (2016)

Cena do filme Capitão América: Guerra Civil (2016)

O título mais recente mostra o respeito da empresa com seus personagens e suas assinaturas cinematográficas. Outro ganho está em quebrar a “maldição do terceiro filme”, que está ligada a um gráfico em parábola, cujo topo está no segundo filme, quando a origem do herói já é conhecida, mas o produtores não se empolgaram demais e estragaram a franquia – sina que vitimou Homem-Aranha, Homem de Ferro e X-Men, por exemplo.

Do outro lado da jogada, Batman vs. Superman teve de acelerar o passo, apresentar muitos personagens e criar o universo DC nos cinemas – tudo em cerca de 180 minutos. O atropelo é ainda mais absurdo se considerarmos que a DC faz parte da Warner há muito tempo e a major teria uma estrutura sólida para sair na dianteira, enquanto a Marvel fazia Homem Aranha (2002) com a Sony e X-Men (2000) com a Fox, por exemplo.

Os direitos de adaptação da Marvel ainda não estão todos sob seu controle. A Disney fez um acordo com a Sony para que Homem-Aranha entrasse em Guerra Civil e fosse parte do Universo Cinematográfico da casa, mas os mutantes e o Quarteto Fantástico ainda correm livremente pela Fox, que já deixou escapar Demolidor, protagonista da série da Netflix que faz referências aos filmes da Marvel.

Para não perder sua fatia no bolo, a Fox também mexe suas engrenagens. Para continuar com Reed Richards e companhia em seus filmes, fez a toque de caixa o decepcionante Quarteto Fantástico (2015). Por outro lado, o estúdio demonstra maior cuidado com os alunos de Charles Xavier. Depois do inconstante X-Men: o Confronto Final (2006), em um golpe paradoxal resolveu voltar no tempo para renovar a franquia, manter os direitos em casa e cativar os fãs.

Cena do filme X-Men: Apocalipse (2016)

Cena do filme X-Men: Apocalipse (2016)

X-Men: Primeira Classe (2011) injetou sangue novo na séria e deu esperança de outros bons filmes na Fox, apesar dos medianos longas-solo de Wolverine (2009 e 2013). X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014) manteve o nível e preparou terreno para o vindouro X-Men: Apocalipse (2016), que estreia em 19 de maio por aqui.

A nova produção promete finalmente explorar a rixa entre Professor Xavier e Magneto, que se ensaiava nos últimos episódios da franquia. Pelo trailer, vê-se que não há economia em poderes mutantes. É aguardar para ver.

O que fica no ar é o futuro dos mutantes na tela grande. Apocalipse se vende como apoteótico, Hugh Jackman se despede de Wolverine no filme que será lançado em 2017 e a Fox vai precisar de muita imaginação para dar continuidade ao seu projeto. Se a produtora se inspirar no caso da Sony e também firmar um acordo com a Disney/Marvel, certamente arrancará sorrisos dos lábios dos fãs de quadrinhos. É uma ideia… e uma torcida.

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