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A morte ronda o Festival de Gramado 2017

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Terça-feira, 22, foi o quinto dia de competição no 45º Festival de Gramado e as obras apresentadas trilharam caminham distintos e, novamente, dividiram opiniões. Enquanto o filme argentino investiu em fatos políticos marcantes, o nacional mergulhou no verbo para abordar o amor. Em comum, ambos têm a morte como um implacável vilão.

Segundo filme de Paulo Betti na direção, e agora na companhia da ex-esposa (mas parceira) Eliane Giardini e Lauro Escorel, A Fera na Selva veio da experiência da dupla no teatro com o mesmo texto, inspirado no romance de Henry James. Comum em produções oriundas do palco, o resultado final é nitidamente um filme para poucos. Essa percepção, aliás, foi assunto da entrevista coletiva e a própria Giardini comentou o fato. “Eu não acredito obviamente em uma carreira comercial”, disse ela, apostando no circuito de festivais e exibidores que trabalham com produções fora da curva.

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Paulo Betti e Eliane Giardini, em coletiva de A Fera na Selva (2017) – Festival de Gramado

Betti, animado com a exibição da noite anterior e com o debate do dia, foi mais além e arrancou risos da plateia ao sapecar a frase “o filme vai fazer muito sucesso em Sorocaba. É o meu objetivo”. A cidade paulista, além de ser o local de nascimento dos dois atores, serviu como pano de fundo de belas cenas que atenuaram a verborragia do roteiro. Esse excesso, aliás, foi destacado pela atriz e diretora como motivo de divergência inicial entre eles. “Eu achava que era muito palavroso. O Paulo queria exatamente dessa forma”, disse ela, lembrando que se fosse teatro, hoje estaria cortando algumas coisas, mas que ainda assim estava muito orgulhosa do filme.

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Cena de Sinfonía para Ana (2017), de Virna Molina e Ernesto Ardito

Exibido e premiado no Festival de Moscou, Sinfonia para Ana também provocou estranheza junto a uma parcela da imprensa presente na sessão. Baseado no livro de Gaby Meik, a trama se passa nos anos 1970, entre os estudantes de esquerda do tradicional Colégio Nacional de Buenos Aires, durante um período de repressão na Argentina, que culminou com o desaparecimento de diversos jovens. O roteiro acompanha a adolescente Ana (Isadora Ardito) vivenciando uma violenta carga de conflitos pessoais em meio a um cenário carregado de discursos ideológicos.

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Isadora Ardito (atriz), Virna Molina e Ernesto Ardito, de Sinfonia para Ana (2017) – Festival de Gramado 2017

Dirigido por Virna Molina e Ernesto Ardito, é possível dizer que alguns excessos marcaram a estreia da dupla na ficção. Além da utilização repetitiva (e irritante) de uma música, a insistência por planos fechados (com algum maneirismo no uso da câmera) e, principalmente, a sua duração (119 minutos), foram pontos negativos. Durante a coletiva, os diretores comentaram que fizeram uma versão menor, mas optaram por manter deste tamanho e que entendem a música como “um elemento narrativo muito forte”. Criticados pela mudança da narrativa, que abandonou o viés político para investir no amoroso, Virna salientou ser o filme mais político do que o livro e que essa mudança aconteceu na vida real, na medida que a repressão aumentou.

PREVIEW viajou a convite da organização do Festival de Gramado 2017.

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