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Cerimônia repleta de homenagens abre o Festival de Brasília

A abertura do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, na noite da última sexta-feira, foi marcada por momentos intensos. Após catártica performance do ator Matheus Nachetergaele (foto acima) concluída com um “Fora, Temer!” que eletrizou a plateia do Cine Brasília, a cerimônia apresentada por Dira Paes e Juliano Cazarré deu vazão a diversas homenagens, tanto a Nelson Pereira dos Santos, cineasta em atividade que assinou filmes emblemáticos, a começar por Rio 40 Graus, marco do movimento do Cinema Novo, quanto a diretores falecidos recentemente, casos de Geraldo Moraes, Manfredo Caldas e Marcio Curi – cada um deles foi evocado por meio de um curta-metragem.

Nelson Pereira, que não pode vir ao festival, foi representado pelo filho Diogo Dahl e pela neta Mila Chaseliov. O tributo a Nelson incluiu a exibição do curta Nelson Filma, de Luiz Carlos Lacerda, e a medalha Paulo Emílio Salles Gomes. O cineasta Vladimir Carvalho e o ator e ex-professor Jean-Claude Bernardet subiram ao palco para entregar a medalha, que faz referência ao célebre crítico de cinema e professor – por sua vez, lembrado por meio do curta Festejo muito Pessoal, de Carlos Adriano, diretor representado pelo professor Carlos Augusto Calil.

Depois das homenagens, o público assistiu ao longa-metragem de abertura, Não Devore meu Coração!, de Felipe Bragança, centrado em dois irmãos, Fernando (Cauã Reymond) e Joca (Eduardo Macedo), que vivem no Mato Grosso do Sul, próximos à fronteira entre Brasil e Paraguai, e atravessam fases turbulentas. Enquanto o primeiro divide o tempo entre uma gangue de motoqueiros e encontros meteóricos com mulheres, o segundo não mede esforços para conquistar a índia Basano (Adeli Benitez), que o rejeita de maneira contundente. Escorado no livro Curva de Rio Sujo, de Joca Reiners Terron, o diretor traça um paralelo entre a Guerra do Paraguai e o violento conflito entre fazendeiros e índios.

No debate ocorrido na manhã de sábado, Bragança afirmou que não pretendeu retratar a região tão-somente sob uma perspectiva realista. “Não queria produzir uma crônica da região, mas me aproximar daquele mundo pela via dos afetos”, relatou. Bragança viajou sucessivas vezes, ao longo de cinco anos, para Campo Grande e a área da fronteira onde a história se passa. Conviveu com os moradores e realizou a escalação a partir dos contatos que estabeleceu no cotidiano.

Assim, atores profissionais, como Reymond, Cláudia Assunção e Leopoldo Pacheco (Ney Matogrosso também faz uma participação), se misturaram a outros que tiveram a primeira experiência diante das câmeras (Macedo, Benitez, Marco Lóris, Marcio Veron). Já Zahy Guajajara trabalhou na série Dois Irmãos, de Luiz Fernando Caralho, a partir do livro de Milton Hatoum, ao lado de Reymond.

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