FESTIVAIS

Construindo Pontes: Tudo sobre meu pai

No Brasil polarizado entre cozinhas e mortadelas, parece que a família é o único espaço possível para a convivência de seres humanos com visões políticas opostas. É com as discussões típicas de encontros familiares que se sustenta Construindo Pontes, documentário em competição no Festival de Brasília 2017.

A diretora e fotógrafa Heloísa Passos (Mulher do Pai) registra conversas com seu pai, sob o pretexto de falar sobre as obras nas quais ele trabalhou para o governo militar quando era engenheiro. Nos diálogos entre os dois fica claro o universal choque e gerações, mas com as discussões acerca dos acontecimentos políticos do Brasil atual, cada vez mais próximo de House of Cards. Assim, há a analogia evidente entre as pontes de concreto e o laço paternal.

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Essa mesma dinâmica, mas do lado oposto no espectro político, foi apresentada recentemente em Meus Dias com Ele (2012), no qual a diretora confronta o pai sobre as consequências afetivas do envolvimento dela na luta contra a ditadura. Na comparação entre os títulos, Construindo Pontes fica muito para trás. O longa paranaense roda em falso e traz algumas redundâncias audiovisuais.

No final, as discussões entre os dois personagens não vão a lugar algum, como ocorre nas festas de família. Se isso é visível na vida de cada um dos espectadores, no filme a dinâmica previne o avanço narrativo. Isso se soma às alongadas digressões, o que deixa o momentos interessantes ilhados em meio aos descaminhos dos roteiros.

Cotação ** 1/2

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