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Estreia matadora de O Matador no Festival de Gramado gera polêmica

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Dirigido por Marcelo Galvão, o longa O Matador teve uma estreia “matadora” no primeiro dia do Festival de Gramado 2017. Além de causar incômodo com sua brutalidade visceral, o primeiro filme brasileiro produzido pela Netflix gerou reações distintas junto ao público e imprensa. E após dada a largada na corrida pelos Kikitos, e a produção tem fortes chances em categorias técnicas, ficou comprovado o tiro certo do curador Marcos Santuário ao defender a ideia de trazer esta obra, mantendo acesa a construtiva polêmica “cinema contra o streaming”, iniciada por Pedro Almodóvar no Festival de Cannes.

Após os caprichados créditos iniciais, de grande impacto visual e com direito a uma bela música tema original, o faroeste do cangaço investiu sem medo no binômio sexo e violência. Com cenas fortes, muita ação, boa trilha sonora, planos bonitos e grandiosos, ficou claro que não deixou de ser cinema por ser produzido para exibição em multi-telas. Rodado no interior de Pernambuco, o roteiro é rico de personagens, mas é a velocidade na apresentação deles e um sumiço temporário do protagonista que contribuíram para a obra perder parte de sua força. Por outro lado, é inegável e importante ressaltar que ela esbanja ousadia e reúne mais méritos. Sem contar, claro, a importância de ser a primeira produção original desse “distribuidor” moderno, ainda envolto em um nuvem de controvérsias. Sobre a estreia, ela acontecerá ainda em 2017.

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Elenco de O Matador (2017) em momento selfie, no Festival de Gramado 2017

No dia seguinte, durante a entrevista coletiva, o cineasta encarou um duelo, em especial, com parte da imprensa. Mais de uma vez criticado pelas cenas violentas, perguntaram se ele considerava seu filme sádico, o que foi respondido com um singelo e direto “não”. Galvão salientou que fez questão de não apresentar a violência e a nudez de forma gratuita, e que a crueldade exibida tinha forte ligação com a natureza dos personagens e sentimentos, como vingança, presentes na trama.

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Marcelo Galvão apresenta O Matador, no Festival de Gramado 2017

Ao ser questionado, e novamente com tom de crítica, sobre possíveis influências do faroeste brasileiro, o chamado “Nordestern”, e a sua visão sobre essas produções, o diretor sacou uma rápida resposta. Revelou ter visto todos durante a pesquisa, elogiou o trabalho do passado, mas que considerava vital não repetir o que ele chamou de atuações forçadas, teatrais, citando como exemplo a morte de Corisco em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), reforçando a pegada mais naturalista que buscava.

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O Matador (2017), de Marcelo Galvão.

Na pergunta sobre a mensagem do filme, o diretor ressaltou que apesar das muitas mortes, como revela o próprio título, ele também tem a história de pai e filho, de sentimentos, de uma possível transformação, e que o bonito do cinema também é permitir várias interpretações. Quando uma professora abordou a presença de crianças em cena, ele revelou que o ator mirim principal contava com a presença da mãe no set, e que tanto ele quanto as duas outras crianças (filhos dele) não viram as cenas prontas.

Agora, resta aguardar e ver se o filme se sairá bem junto aos jurados. A premiação acontecerá no próximo sábado e VOCÊ será informado em tempo real por aqui. PREVIEW viajou a convite da organização do Festival de Gramado 2017.

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Fotos: Cleiton Tielle / Pressphoto

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