ENTREVISTAS FESTIVAIS

Festival Noia: Câmera na mão antes da ideia na cabeça

É relativamente comum documentários terem seu roteiro definido apenas na montagem, durante ou após o processo de captação. Há outros casos mais extremos, de filme ficcionais feitos dessa maneira, como alguns de curtas exibidos na noite de 6 de outubro no Festival Noia 2017.

Dummies é um falso documentário que coloca bonecos de teste de colisão como vítimas de um sistema opressor. “Minha primeira referência foi um jogo da Sega que meus amigos curtiam”, explicou o diretor Bruno Barrenha. “Aí fui atrás de imagens desses testes e achei mais de três horas de material na internet.”

Além das imagens de arquivo, curta traz vinhetas animadas ao estilo dos videogames dos anos 1990. Nessas passagens, uma voz robótica faz a narração. “Eu queria fazer um filme totalmente sem atores”, afirma Bruno.

Cena do filme Os Anos 3000 Eram Feitos de Lixo (ou Quando a Dignidade da Raça Humana se Afogou no Chorume Estático da Arte da Hipocrisia) (2017)

Os jogos eletrônicos também são inspiração e referência para o distópico Os Anos 3000 Eram Feitos de Lixo (ou Quando a Dignidade da Raça Humana se Afogou no Chorume Estático da Arte da Hipocrisia), feito por uma coletivo de artistas do Rio de Janeiro. “O filme surgiu como uma resposta ao modelo de produção pretendido pela faculdade”, afirmou Cleyton Xavier, um dos diretores.

O roteiro só foi criado depois de terminadas as gravações. “Queríamos trabalhar com chroma key e performances”, explicou. “Foi um desafio compor uma história a partir do que a gente gravou”, confessa a diretora Clara Chroma.

A história se passa em uma época dominada por ciborgues, quando arte independente se torna mercadoria de contrabando. Há uma chuva de referências, com estética que se aproxima do Vaporwave, apesar dos realizadores não conhecerem tal movimento. Toda produção do coletivo está disponível na página oficial do Facebook.

A sessão se sexta do Noia reafirma um dos mais importantes compromissos de um festival universitário: celebrar a produção jovem para apontar os caminhos do futuro do cinema. E essa corredeira de alusões certamente será uma constante.

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