ENTREVISTAS FESTIVAIS

Festival Noia: Ocupar e resistir

Desde as manifestações de junho de 2013, as demandas pela ocupação de espaços sociais se intensificaram por todo o Brasil. Essa agenda inclui as lutas por moradia e educação, além de se posicionar contra a especulação imobiliária desenfreada. Essas bandeiras estavam presentes em curtas exibidos na última noite da competitiva do Festival Noia 2017.

“Se não fosse a experiência da ocupação, acho que eu não teria passado no vestibular”, disse a estudante Lilica Santos, uma das personagens do documentário Sintera. O filme registra entrevistas com alunos secundarista que participaram da ocupação de uma escola secular em Fortaleza. “Foi uma forma de atingir mais pessoas do que seria possível com uma monografia em texto, que fica presa na biblioteca”, defendeu o diretor Fellipe Farias.

Cena do filme Muros (2016)

Outro filme cearense nessa toada é Muros, sobre a relação dos moradores das comunidades que moram perto campus da UFC com o terreno da faculdade. Essas pessoas são separadas por um muro comparável à Berlim da Guerra Fria.

O curta é formado por depoimentos dos moradores e imagens do Google Street View das ruas do bairro. “Achamos que as pessoas ficariam mais à vontade diante apenas do gravador, sem apontar uma câmera para a cara delas”, explica a diretora Sunny Maia. “Foi um grande trabalho de escutar o outro”, conclui o diretor Pedro Palácio.

Cena do filme Fora de Quadro (2016)

O cinema pernambucano discute com frequência a questão da especulação imobiliária e o curta Fora de Quadro junta-se ao coro. O documentário seleciona quatro personagens que moram em bairros mais humildes no centro de Recife, cujas terras são visadas pelo Capital.

“Tínhamos um perfil de personagem em mente”, afirma o diretor Txai Ferraz. “Procuramos por pessoas que morassem ali há muitos anos, com boas histórias e fotos que sintetizassem toda essa história.”

Cena do filme Vazio do Lado de Fora (2017)

O único não-documentário da noite também resvala em temas similares. Formado por cenas independentes entre si, Vazio do Lado de Fora foi todo gravado na Vila Autódromo, bairro do Rio de Janeiro que foi esvaziado às vésperas das Olimpíadas.

“A locação é muito importante no filme, então algumas ideias que estavam no roteiro foram adaptadas no momento da gravação”, relatou o diretor Eduardo BP.

A cerimônia de premiação do Festival Noia ocorre na noite de 8 de outrubro.

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