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Festival de Brasília: Ficções científicas sobre o presente

Os aplausos, ao final da sessão, foram contidos, mas Era uma vez Brasília (imagem acima) de Adirley Queirós, recebeu muitos elogios no debate, que também reuniu as equipes dos curtas-metragens Chico, de Eduardo e Marcos Carvalho, e Carneiro de Ouro, de Dácia Ibiapina. Apesar da estrutura ficcional e da conexão com um cinema de gênero (ficção científica), Adirley classifica seu novo filme como documentário. De fato, o diretor evoca de maneira direta acontecimentos específicos do passado recente da história brasileira, como a folclórica votação dos deputados, o impeachment de Dilma Rousseff e sua substituição por Michel Temer (destacando discursos de ambos). “Meu filme não ama Dilma Rousseff, mas odeia Michel Temer. É diferente”, disse Adirley.

Em Era uma vez Brasília, o cineasta conta a história de um agente intergaláctico, que, em troca de uma promessa de estabilidade para sua família, aceita vir à Terra para matar o presidente Juscelino Kubitcheck. No entanto, ele cai acidentalmente num momento histórico diverso. Por meio desse deslocamento temporal, Adirley faz referêcias ao contexto político atual. E realça a geografia de Ceilândia, onde cai a nave de sucata do agente, cidade-satélite que desponta como personagem não só nesse filme como nos anteriores. A desesperança do diretor é simbolizada pela opção por tomadas noturnas. “Em Era uma vez Brasília, o sol nunca nasce”, confirmou.

Os outros trabalhos exibidos na mesma noite também se passam em espaços considerados como periféricos, à margem de um eixo central. A história de Chico acontece numa favela, num futuro próximo (2029), num prédio em ruínas, destroçado, onde vivem um menino, sua mãe e sua avó. Já Carneiro de Ouro apresenta ao público o cineasta Dedé Rodrigues, que realiza no sertão do Piauí filmes repletos de efeitos especiais concebidos de maneira artesanal.

O repórter viajou a convite da organização do  festival

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