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Gramado: A Voz do Silêncio explora a vida dura em Sampa

É um filme triste o novo drama de André Ristum, que abriu a mostra competitiva de longas brasileiros do festival. O diretor retorna a Gramado depois de três anos, quando concorreu com O Outro Lado do Paraíso, que foi eleito pelo público o melhor filme daquele ano na votação do júri popular. Na entrevista coletiva, Ristum ressaltou que A Voz do Silêncio é seu trabalho mais pessoal.

Uma São Paulo cinzenta, deprimente e opressora é o cenário de uma narrativa coral, em que diversos personagens apanham para sobreviver na selva de pedra. Marieta Severo, o grande nome do elenco e presença no tapete vermelho na première, faz uma mãe totalmente oposta a Dona Nenê da série A Grande Família. Amarga e instável mentalmente, ela vive reclusa no apartamento que divide com a filha, onde aguarda o retorno do filho que mora na Nova Zelândia – ou assim ela acredita.

“O maior desafio de filmes corais é como pular de história em história para montar o quebra-cabeça, é um trabalho de costura, porque algumas se cruzam e outra não”, explica o cineasta. “Os personagens são inspirados em pessoas reais e acho que meus 25 anos de psicanálise não me ajudam a enxergar muita luz, é realmente uma obra pessimista, mas são vidas que me tocam de alguma forma.”

André Ristum, de óculos, e o elenco no tapete vermelho

Para Marieta Severo, o filme é triste, mas tem poesia. “Não acho pessimista, mas um mosaico realista da vida do lado B, C e D de São Paulo”, afirma a atriz. “Eu sou uma carioca que quando venho a São Paulo é como se estivesse indo a Nova York, venho como privilegiada, para aproveitar as atrações culturais da cidade, o lado A, mas o que o André faz é focar essa outra face, do grupo daqueles que se debatem para achar seu lugar ao sol.”

Ristum ressalta o desejo de pintar um afresco realista da dinâmica da vida nas grandes cidades e que há espaço para esperança nesse universo caótico. “De certa maneira, também queria trazer um mínimo de reflexão sobre a importância de dedicar ao menos um minuto ao próximo e valorizar o altruísmo nas relações.”

A recepção do público não foi das mais animadas, e nem poderia ser diferente. É um mundo cão que Ristum ilumina sem concessões. É agradável de ver? Não. É um bom filme? Sim.

 

 

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