FESTIVAIS MOSTRAS NOTÍCIAS

Mostra Olhar de Cinema: Destaques

Em Competição no Olhar

 A Mostra Competitiva de longas-metragens da oitava edição do Olhar de Cinema é composta pelos filmes brasileiros Casa, de Letícia Simões, Chão, de Camila Freitas, e Diz a Ela que me Viu Chorar, de Maíra Bühler, pelo argentino De Novo Outra Vez, de Romina Paula, pelo espanhol Entre Duas Águas, de Isaki Lacuesta, pelo belga Etangs Noirs, de Pieter Dumoulin, pelo americano Família da Madrugada, de Luke Lorentzen, pelo francêsSeguir Filmando, de Ghiath Ayoub, e pelas coproduções Luxemburgo/França/Israel/Bélgica Tel Aviv em Chamas, de Sameh Zoabi, e Estados Unidos/Hong Kong Pretérito Imperfeito, de Zhu Shengzhe. Os vencedores – nas categorias melhor filme, prêmio especial do júri e prêmio de contribuição artística – serão conhecidos na noite da próxima quarta-feira, em cerimônia marcada pela exibição de Breve História do Planeta Verde (2019), coprodução Argentina/Alemanha/Brasil/Espanha assinada por Santiago Loza.

Chão

 Raoul Ruiz e Bárbara Hammer: homenagens

 Especialmente preocupada com a valorização da história do cinema, a Mostra Olhar de Cinema presta homenagens a artistas representativos: ao cineasta chileno Raoul Ruiz – por meio da exibição dos filmes Três Tristes Tigres(1967), Diálogos de Exilados (1975), A Vocação Suspensa (1977), A Hipótese do Quadro Roubado (1978), As Divisões da Natureza (1978), Dos Grandes Eventos e Pessoas Comuns (1979), O Teto da Baleia (1982) e As Três Coroas do Marinheiro (1983) – e à diretora americana Bárbara Hammer – através dos curtas-metragens Dyketactions (1973) e Força Dupla (1978). Os tributos vêm acompanhados de articulações com outros trabalhos. O recorte da produção de Ruiz realizada durante a ditadura chilena é associado a produções brasileiras também concebidas ao longo do regime militar, como o curta Meio-dia (1970), de Helena Solberg, os médias Un Séjour(1970), de Carlos Diegues, e O Pequeno Exercito Louco (1971), de Lucia Murat e Paulo Adario, e os longas O Leão de Sete Cabeças (1970), de Glauber Rocha, e Memórias de um Estrangulador de Loiras (1971), de Julio Bressane. Já os trabalhos de Hammer surgem conjugados com outros curtas afinados no universo temático.

Raúl Ruiz

 Retrospectiva de ouro

 A preocupação com a cinefilia também vem à tona por meio da exibição de filmes importantes da história do cinema, alguns bastante conhecidos e outros bem menos (o que sinaliza a preocupação do evento em destacar produções não tão reverenciadas): Cantando na Chuva (1952), de Gene Kelly e Stanley Donen, Ó, Sol (1967), de Med Hondo, O Funeral das Rosas (1969), de Toshio Matsumoto, O Conformista (1970), de Bernardo Bertolucci, A Longa Caminhada (1971), de Nicolas Roeg, Reminiscências de uma Viagem à Lituânia (1972), de Jonas Mekas, Conhecendo o Grande e Vasto Mundo (1978), de Kira Muratova, Os Renegados (1985), de Agnès Varda, Filhas do Pó (1991), de Julie Dash, e dois curtas – Aqueles que se Fazem (1930) e Danças Espanholas (1930) – e um média-metragem – O Cigarro (1919) – de Germaine Dulac. Em relação ao cinema brasileiro, o público pode rever Memórias do Cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos.

Cantando na Chuva

 Bressane-Sganzerla

 Há relevantes novos filmes brasileiros na Mostra, casos de Sedução da Carne, de Julio Bressane, e A Mulher da Luz Própria, de Sinai Sganzerla, trabalho em que presta homenagem à mãe, a musa Helena Ignez, dona de marcante trajetória na história do cinema nacional.

 Lembrança de Agustina Bessa-Luís

 Recém-falecida, a escritora Agustina Bessa-Luís, que teve alguns dos seus romances adaptados para o cinema pelo diretor Manoel de Oliveira, está representada na Mostra pelo filme A Portuguesa, de Rita Azevedo Gomes, ambientado às vésperas do Concílio de Trento, no norte da Itália, no século XVI. Bessa-Luís adaptou o conto homônimo de Robert Musil.

A história da crítica em livro da Abraccine

 A Mostra Olhar de Cinema também contou com o lançamento do livro Trajetória da Crítica de Cinema no Brasil (editora Letramento), realização da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), ocorrida no último domingo, dia 9, em evento acompanhado de debate com alguns dos 34 autores (Ivonete Pinto, Luiz Joaquim, Paulo Camargo e Rafael Carvalho) que participam com textos na publicação. O livro – organizado por Paulo Henrique Silva, presidente da Abraccine, com apresentações de Ismail Xavier e Jean-Claude Bernardet – reúne a história da crítica de cinema em 23 dos 27 estados do país, incluindo o Distrito Federal.

Publicidade

Deixe o seu Comentário