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Começa a Mostra Sonora: Ennio Morricone

Há acordes que a gente nunca esquece. Quem segura as lágrimas ao ouvir a melodia de Cinema Paradiso? E o que dizer do cowboy Clint Eastwood com cigarro na boca e olhar longe ao som do tema de Um Punhado de Dólares? Foi justamente o diretor deste último, Sergio Leone, que formou com seu colega de classe a vitoriosa parceria que deu prestígio ao western spaghetti.

Italiano nascido em Roma em 10 de novembro de 1928, Ennio Morricone assina a composição e arranjo de mais de 500 filmes e programas de televisão. São quase 60 anos de carreira, finalmente honrada com um Oscar honorário em 2007. Só que de lá para cá, Morricone não só continuou na ativa como em 2016 levou o Oscar, o Globo de Ouro, o Bafta e outra penca de troféus pela trilha de Os Oito Odiados, o faroeste de Quentin Tarantino.

Os Oito Odiados

“Minha mãe sempre colocava o disco da trilha sonora do filme A Missão para tocar em casa, tenho boas recordações da época ao som de Ennio Morricone. Acredito que assim como eu, várias outras pessoas também foram marcadas pelas composições do maestro italiano e mantém com a obra dele uma relação afetiva”, afirma Rafael Bezerra, curador da Mostra Sonora, que reúne 22 longas de gêneros, países e diretores diferentes, para celebrar o músico, que neste ano completa 90 anos de idade.

O evento acontece no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) de São Paulo, entre 24 de janeiro e 19 de fevereiro, e em Brasília, de 30 de janeiro e 25 de fevereiro. “Morricone é um dos maiores compositores de trilhas para o cinema. Sua assinatura é sempre inconfundível, embora esteja sempre bem casada com a obra de cineastas também igualmente inconfundíveis, como Sergio Leone, Pier Paolo Pasolini, Brian de Palma, Dario Argento, Samuel Fuller”, comenta Bezerra. “É incrível essa capacidade de manter-se original e ao mesmo tempo ser absorvida por gêneros, misé-en-scenes e visões de cinema diversas entre si. Morricone é um nome decisivo para alguns caminhos tomados pelo que chamamos de cinema moderno, em seu gosto por citações, pela música pop e pela musique concrète.”

Por um Punhado de Dólares

Cinema Paradiso (1988) e Por Um Punhado de Dólares (1964) estão na seleção de 22 filmes, claro, e Bezerra teve o cuidado de cobrir a extensa carreira do artista, com títulos das décadas de 1960 até os mais recentes, como Os Oito Odiados (2015). Os indicados ao Oscar estão todos presentes: Cinzas no Paraíso (1978), A Missão (1986), Os Intocáveis (1987), Bugsy (1991) e Malèna (2000).

Bezerra conta que entraram em contato com a assessoria de Morricone, na tentativa de trazê-lo ao Brasil, mas, embora ainda trabalhe, a idade avançada impossibilitou sua vinda. “Morricone não tem uma trilha preferida, embora tenha predileção pelos trabalhos menos comerciais”, revela. “Este, aliás, foi um dos nortes da curadoria: fazer um panorama que desse conta da diversidade da obra do Morricone, ainda muito associado à parceria com Leone. Morricone tem longas colaborações com outros cineastas, trabalhou com outros tantos, e fez filmes de terror, policiais, dramas etc.”

Confira a vinheta:

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