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O debate incendiário de Vazante

A temperatura ferveu no Festival de Brasília durante o debate de Vazante (imagem acima) novo filme de Daniela Thomas, sobre a jornada de Beatriz, uma menina de 12 anos, levada a se casar com Antonio, um homem de 45, em Minas Gerais, em 1821. Alguns espectadores presentes ao debate reclamaram de maneira contundente do fato de a história ser apresentada pela perspectiva de uma personagem branca e da falta de valorização da subjetividade dos personagens negros.

“Eu mostrei o filme para Camila Pitanga e ela disse que o protagonismo está com os brancos. É verdade que contei a história a partir do meu ponto de vista. Minha vida é fruto dessas relações num mundo dominado por homens. Acredito na dívida histórica com os negros, mas não fiz um filme para resolvê-la. Em todo caso, tenho consciência de que o filme não me pertence, e sim ao momento que estamos atravessando”, afirmou Daniela no debate que seguiu tenso até o final.

Música para quando as Luzes se Apagam

Na mesma manhã, o público acompanhou o debate sobre Música para quando as Luzes se Apagam, primeiro longa-metragem de Ismael Caneppele, centrado na abordagem da sexualidade para além de padrões estabelecidos, previamente instituídos, a partir de Emelyn, que caminha rumo à afirmação de sua transexualidade, processo dividido com uma escritora (interpretada por Julia Lemmertz).

Também foram discutidos os curtas O Peixe, de Jonathas de Andrade, sobre o costume de pescadores de um vilarejo de acariciarem os peixes depois de fisgá-los, Nada, de Gabriel Martins, sobre o rito de passagem de Beatriz (Clara Lima), que, às vésperas do Enem e apesar da pressão sofrida na escola e em casa, decide não escolher uma carreira, e Peripatético, de Jéssica Queiroz, sobre as trajetórias de três amigos moradores da periferia de São Paulo, que têm suas vidas alteradas pela onda de ataques que tomou conta da capital paulista em 2006.

“O repórter viajou a convite da organização do festival”.

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