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Por Trás da Linha de Escudos: Novo incômodo em Brasília

A polêmica voltou a ecoar no Festival de Brasília. Depois das opiniões contundentes sobre Vazante, de Daniela Thomas, alguns espectadores do debate de Por Trás da Linha de Escudos externaram indignação com o documentário de Marcelo Pedroso, que teria suavizado o retrato do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Pernambuco.

No filme, o cineasta não só aparece entrevistando integrantes do Batalhão como participando de treinamentos, em especial no que se refere à submissão do grupo de policiais aos efeitos do gás lacrimogêneo. Sem deixar de mostrar as agressões sofridas por manifestantes em suas reivindicações na rua, Pedroso gerou incômodo pelo que se considerou como uma aproximação empática em relação aos policiais.

“Eu precisava dos policiais no filme. Era fundamental atraí-los para o projeto. A dinâmica do contato envolve uma dimensão empática. Não significa que concorde com eles. A questão é como gerenciar a discordância diante da necessidade de estabelecer contato”, disse Pedroso, que procurou uma outra abordagem para além da conhecida oposição entre forças de repressão e oprimidos. “Não quis fazer um filme de ruídos em que as duas partes continuassem certas de suas posições”, resumiu.

Torre (crédito Estúdio Teremim)

Violentas formas de opressão também estiveram presentes em outros filmes da competição, como O Nó do Diabo, projeto coletivo de Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé e Jhézus Tribuzi. Dividida em cinco partes, ambientadas ao longo de 200 anos de história (apresentados em cronologia decrescente, de 2018 e 1818), a produção aborda, por meio do flerte com o cinema de gênero (terror), a cruel submissão dos negros em relação aos brancos, dos empregados em relação aos patrões, com o intuito de mostrar que, no decorrer do tempo, a exploração talvez não tenha mudado tanto quanto parece a princípio.

Já no documentário de Heloisa Passos, Construindo Pontes, conflitos ganharam abordagem mais intimista. A diretora se colocou como personagem do próprio filme para destacar o elo turbulento com o pai, Álvaro. Ambos se posicionam em diferentes lados da história – Álvaro defende a revolução, como classifica o Golpe de 64, e se opõe ao PT, enquanto Heloísa brada contra a ditadura e desconfia da Lava Jato.

O curta, Torre, de Nádia Mangolini, realizado sob a forma de documentário de animação, aborda a reverberação íntima causada em irmãos diante do desaparecimento do pai durante o regime militar e a vida no exílio. E outro curta, Tentei, de Lais Melo, retoma a importante temática da opressão da mulher dentro do casamento por meio da jornada de Glória, que decide denunciar as agressões do marido.

O repórter viajou a convite da organização do festival

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