ESTREIAS PERSONALIDADES

Adam Driver: De Paterson ao vilão de Star Wars

Protagonista de Paterson (foto acima), de Jim Jarmusch, que estreia nesta quinta, ADAM DRIVER já trabalhou com diretores consagrados, é o novo vilão da saga Star Wars, está filmando com Terry Gilliam e esse é só o começo.

Moreno, alto, bonito, sensual… Não, para tudo. Isso não é revista feminina e não vamos saudar o novo galã de Hollywood. Se bem que moreno e alto (1,89m) são qualidades aplicáveis a Adam Driver. Adam quem? Até 2011, praticamente ninguém ouvira falar do ator, que havia dois anos marcava presença em séries de TV e curtas-metragens. Foi sob a batuta de Clint Eastwood que ele estreou na tela grande, no drama J. Edgar. O papel era mínimo, mas trabalhar com o cineasta não é para qualquer um. Logo depois, o cultuado Noah Baumbach o levou para o universo independente no sucesso Frances Ha, e a partir daí Driver tem estrelado grandes e pequenas produções, às vezes como coadjuvante, outras como protagonista.

Certo, mas isso não difere da trajetória de tantos outros atores de Hollywood. No caso de Driver, porém, há dois pontos que o colocam em outro patamar. Para quem estreou no cinema aos 28 anos de idade e ainda não completou dez de carreira, ele teve uma ascensão vertiginosa. E nesse período, trabalhou com cineastas cobiçados e consagrados. Depois de Eastwood, vieram Steven Spielberg com Lincoln (2012), os irmãos Coen em Inside Llewyn Davis: Balada de Um Homem Comum (2013) … e aqui abrimos um parêntesis, porque a parceria com J.J. Abrams é daquelas que transformam a vida de qualquer um.

Silêncio

Em 2015, Adam Driver deu vida ao vilão Kylo Ren em Star Wars – O Despertar da Força, e protagonizou com Harrison Ford uma cena que nasceu antológica: o confronto entre Han Solo e o próprio filho, que seguiu os passos do avô Darth Vader e renegou os ideais pacíficos da mãe, a Princesa Leia. Os fãs surtaram e agora aguardam ansiosos pelo episódio 8, Star Wars – Os Últimos Jedi, que estreia em dezembro.

Mês passado, estreou no Brasil Silêncio, de Martin Scorsese, outro diretor aclamado a investir no ator. No épico ambientado no Japão do século 17, Driver contracena com Andrew Garfield na história de dois padres jesuítas que vão ao Oriente atrás do paradeiro de seu mentor (Liam Neeson), que sumiu do mapa durante missão catequista e, dizem, renegou a fé cristã . O aspecto frágil do personagem, que passa por imensas provações, é consequência dos mais de 20 quilos que o ator perdeu antes e durante as filmagens. Aplicado o moço.

SERVIÇO MILITAR

Em 20 de abril, Driver volta aos cinemas nacionais em Paterson, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes e inaugura a colaboração entre o ator e o cineasta e roteirista Jim Jarmusch (Amantes Eternos). Além do nome do personagem, Paterson é a cidadela de New Jersey em que se passa essa história dividida em sete capítulos, um para cada dia da semana na vida do casal Paterson e Laura, formado por Driver e a atriz iraniana Golshifteh Farahani (Dois Amigos).

Paterson é motorista de ônibus, mas é também um escritor que vê poesia no ordinário. Imagens que passam em sua janela, fragmentos de conversas dos passageiros, a cerveja que toma diariamente, o passeio noturno com o cachorro, ou simplesmente o rosto de Laura. Tudo lhe serve de inspiração. Se Paterson é a placidez em pessoa, Laura é a energia pulsante. Embora fique a maior parte do tempo em casa, ela transforma o ambiente doméstico em um laboratório de invenções, da produção de cortinas e objetos decorativos a receitas culinárias.

“Os personagens vivem o presente e se aceitam e se amam pelo que são”, disse o diretor durante o Festival de Cannes. “Não há grandes tensões dramáticas, porque queria celebrar as pequenas coisas, os detalhes da vida cotidiana.” Fã de Jarmusch desde a juventude, Driver contou na ocasião que fazia de tudo para assistir aos filmes do cineasta. Embora tenha nascido em San Diego, na Califórnia, ele cresceu em Mishawaka, Indiana, para onde se mudou após o divórcio dos pais. “Eu andei uma hora e meia de carro para chegar ao único cinema de arte da região e assistir a Sobre Café e Cigarros”, revelou o ator. “Ler o roteiro de Paterson foi uma mera formalidade, pois teria feito qualquer coisa com Jim, se ele quisesse rodar um comercial de bambu na Austrália, eu topava.”

O máximo de contato que Driver teve com teatro e cinema em seus primeiros anos foi nas montagens escolares e nos filmes que alugava na Blockbuster. Ao fim do ensino médio, se inscreveu na renomada escola de arte dramática Juilliard, mas não foi aceito. Então partiu para Hollywood com trocados no bolso e sonhos de fama, só que seu carro quebrou e o mais perto que chegou de Los Angeles foi em Santa Mônica. De volta ao lar, vendeu aspiradores, trabalhou em telemarketing… e tudo mudou no fatídico 11 de setembro de 2001.

Como Kylo Ren e durante a carreira militar

A tragédia do World Trade Center imbuiu Driver de espírito patriótico e sede de vingança. Sem emprego, sem rumo e cheio de rebeldia, ele se alistou no Corpo de Fuzileiros Navais. “É uma das coisas das que mais me orgulho”, afirmou. “Poucos meses antes de ser enviado ao Iraque, desloquei o esterno em um acidente de bicicleta e fui dispensado, o que foi devastador para mim.” O treinamento de sobrevivência e o contato com os outros soldados mudaram a perspectiva do que Driver antes considerava obstáculos e problemas.

De volta à vida civil, tentou novamente entrar em Juilliard, e dessa fez foi aceito. Nova York se tornou seu lar e também o cenário série Girls, que ele estrela desde 2012 e que neste ano chega a sexta e última temporada. A Broadway também lhe abriu as portas e entre 2010 e 2012 esteve em cinco peças. Agora lhe falta tempo, porque são muitos os projetos de cinema. Olha só com quem está trabalhando: Steven Soderbergh em Logan Lucky, Sylvester Stallone em Tough as They Come, Terry Gilliam em The Man Who Killed Don Quixote, e o francês Leos Carax, que vai dirigi-lo no musical Annette. A resposta para o título “O que é que ele tem?” é uma só: talento, muito talento.

 

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