ENTREVISTAS ESTREIAS

Marion Cotillard fala sobre os bastidores de Aliados

O cenário e a época são os mesmos – Casablanca, na Segunda Guerra Mundial-, mas 74 anos separam o romance entre Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em Casablanca da paixão entre Brad Pitt e Marion Cotillard em Aliados, que estreia nesta quinta, 16. Mas não é bem na clássica dupla do filme de Michael Curtiz que o leitor deve estar pensando, e sim nos matadores profissionais de Sr.& Sra. Smith, de Doug Liman, em que Pitt e Angelina Jolie se pegaram, se atacaram e se amaram na telona – e em seguida fora delas, pondo um término no casamento dele com Jennifer Aniston.

Aliados seria mais uma superprodução na carreira do astro se nos bastidores o casal “Brangelina” estivesse em paz. Esse é daqueles casos em que a vida fala mais alto que a arte. A ruidosa separação foi marcada por boatos de bebedeira, violência e traição de Pitt, e sobrou farpa para Marion Cotillard, apontada como pivô. Grávida do segundo filho com Guillaume Canet, ela teve de desmentir rumores de romance nos sets. Entrevistas à imprensa foram canceladas e Pitt saiu de cena por um tempo, mas se apresentou ao lado de Marion na première de Aliados em Londres, no fim de novembro de 2016. Obviamente, para o público, a polêmica atua como um imã. Quem não quer ver Pitt e Marion em cena?

O cenário é glamoroso e as emoções, exacerbadas. Afinal, é tempo de guerra. O diretor Robert Zemeckis descreve seu filme como um thriller romântico. A trama gira em torno de um oficial da Inteligência canadense, Max Vatan (Brad Pitt), que trabalha para o governo britânico e em 1942 é enviado a Casablanca para uma missão. Ele atua em parceria com uma guerrilheira da Resistência Francesa, Marianne Beausejour (Marion Cotillard), que se apresenta como sua esposa. Os dois se apaixonam enquanto se preparam para um arriscado atentado e, terminada a missão, se casam e fincam raízes em Londres, onde formam uma família. É só felicidade, até que os superiores de Max jogam a bomba: Marianne pode ser uma espiã alemã.

Premiada com o Oscar por Piaf – Um Hino ao Amor, indicada novamente à estatueta por Dois Dias, Uma Noite, dos irmãos Dardenne, e vencedora de inúmeros prêmios mundo afora, a estrela francesa Marion Cotillard falou sobre as filmagens de Aliados.

Entrevista por Gabriela Lablux

Disseram que quando você leu o roteiro pela primeira vez, achou que tinha nascido para interpretar esse papel…

MARION COTILLARD – Eu li o roteiro quatro anos atrás porque minha agente amou essa história. Ela tinha certeza que era o papel para mim. Então, eu li e amei também. Três anos depois, a história começou a tomar forma com Robert Zemeckis e Brad Pitt envolvidos. O projeto se tornou mais emocionante ainda. Adorei o fato de ser uma obra de entretenimento, mas, ao mesmo tempo, com essa complexidade e profundidade de emoções com as quais os personagens lidam ao longo do filme. Eu achei tudo isso muito emocionante e rico.

O que você pode contar sobre a sua personagem, Marianne Beausejour?

Ela é uma espiã dedicada e então, obviamente, é politicamente envolvida com o que faz. Marianne deixa sua vida de lado pela causa que defende e, de repente, se encontra nessa missão onde acaba se apaixonando por outro agente, o que traz uma nova perspectiva e outra luz para sua vida. Antes, ela realmente focava mais no que estava fazendo do que em quem era. Depois, decide viver esse amor e enfrenta toda a complexidade que vem junto quando alguém resolve mudar de vida, especialmente durante um tempo de guerra.

A lealdade é um dos temas do filme, certo? Lealdade com sua posição como espiã e depois talvez essa característica se apresente de forma inconstante à medida que ela se apaixona…

Ela nunca havia esperado se apaixonar. Não era parte do plano, especialmente na missão na qual estava envolvida, junto a outro espião, interpretado por Brad Pitt. É quase uma missão suicida. Ela não sabe se vai sobreviver e isso não é a prioridade, o principal é matar o oficial alemão em questão. E, assim como acontece com muitos que servem a seu país, sua vida não é tão importante quanto sua missão. Ela está acostumada a esse tipo de distanciamento, mas aí, de repente, aparece um sentimento forte e ardente que empurra a vida dela para frente, algo que é irresistível e ela não consegue lutar contra a vontade de mergulhar de cabeça para viver esse amor, para experimentar esse sentimento que acreditava que nunca vivenciaria.

Aliados parece ser uma linda história da antiga Hollywood, algo como Casablanca, por exemplo, e, ao mesmo tempo, tem um diretor com muita visão de futuro como Robert Zemeckis…

Sim, é verdade. Com certeza há um estilo das antigas produções de Hollywood neste filme, mas nada pode ser tão clássico assim por conta de quem está dirigindo. Bob Zemeckis é um verdadeiro visionário. Ele mudou o cinema com sua criatividade e realizou proezas inéditas em seus filmes. Então foi interessante ver o encontro entre esse estilo bem mais antigo filmado por alguém que nunca será clássico e cujo trabalho nunca será velho.

O que te impressionou em Pitt como ator?

Ele estava muito envolvido com o filme e muito comprometido. Antes de começarmos a filmar, nós passamos duas semanas completas, talvez até um pouco mais, nos encontrando com o roteirista, com Bob Zemeckis e com o produtor Graham King, e realmente mergulhamos no roteiro. Nós trocamos ideias, conversamos sobre as personagens e sobre a história propriamente dita. Foi como um período de ensaio, mas sem ensaiar realmente, onde nós pudemos compartilhar nossas opiniões. Bob divudiu com a gente sua visão para o filme e nós pudemos trazer novas ideias para a mesa. Esse foi um momento muito importante porque aí você passa a conhecer com que tipo de atores e diretor você irá trabalhar e, quando estiverem todos no set, você sabe que estarão ali contando a mesma história.

Conta um pouco sobre os figurinos e a moda no filme. No trailer, a Marianne usa um vestido de festa maravilhoso…

O processo todo do figurino foi fascinante porque tudo foi feito especialmente para o filme. Joanna Johnston é realmente uma figurinista surpreendente. Ela já trabalha com Bob há muitos anos, então eles se conhecem muito bem. Ela sabe como ele pensa, como vê as mulheres e ela fez um trabalho de inspiração maravilhoso mergulhando nos anos 40. Foi incrível conversar com ela sobre o estilo da personagem e sobre como a personalidade da Marianne Beausejour poderia aparecer através de seus figurinos. Às vezes, quando se fala sobre moda, parece que estamos “hiper-intelectualizando”, mas teve um vestido meio branco, meio estampado com o qual foi muito interessante trabalhar. A peça tinha essa presença do branco e da pureza que misturava com uma barra estampada bem estruturada e que mostrava a complexidade de Marianne.

 

 

Publicidade

Deixe o seu Comentário