ENTREVISTAS ESTREIAS

Piloto que virou herói, Sully conta como foi ter sua história filmada por Clint Eastwood

Às vezes o impossível acontece. E não dá para pensar de outra forma diante das imagens de um Airbus A320 pousado nas águas geladas do Rio Hudson, em Nova York, na tarde de 15 de janeiro de 2009. O comandante era Chesley “Sully” Sullenberger. Ex-piloto de caça da Força Aérea Americana, Sully notou a perda de potência em ambas as turbinas logo após a decolagem, quando o avião colidiu com um bando de aves. Todos os 155 passageiros a bordo foram salvos no evento que ficou conhecido como o “Milagre no Hudson”.

Em Sully – O Herói do Rio Hudson, Clint Eastwood coloca o público dentro do avião, junto aos passageiros e na cabine dos pilotos. É de arrepiar. Mas seu filme não é sobre a proeza e sim sobre as turbulências que Sully enfrentou em terra firme durante a investigação que segue qualquer acidente aéreo. Apesar de possuir todos os ingredientes para virar um melodrama, estamos falando aqui de Clint Eastwood, um dos poucos diretores de Hollywood que tem controle total de suas criações, e exímio em manter um filme sem apelações. E ele conta, claro, com a atuação contida e precisa de Tom Hanks.

PREVIEW conversou com o verdadeiro Sully. Veja os melhores trechos. A entrevista completa está na PREVIEW de novembro.

Por que achou importante levar sua história para o cinema?

 CHESLEY “SULLY” SULLENBERGER – Acho que as pessoas sabem que nós aterrissamos e todos sobreviveram. Mas realmente não sabem a história toda. É interessante a dicotomia entre a celebração pública e a investigação do que deu certo e o que deu errado. Levou quase um ano e meio e foi um processo muito difícil e intenso. Todas as minhas ações a bordo estavam sendo examinadas por diversas pessoas. Eu já havia participado anteriormente de uma investigação, porém como investigador. Entendo a importância, o valor e a necessidade de fazermos isso, mas não é fácil ser o investigado.

Mas de onde veio a ideia de produzir o filme?

 Seis meses depois do voo do Hudson, conheci o astro Harrison Ford em um evento. Ele é piloto e entusiasta da aviação como eu. Viramos amigos e como ele havia lido meu livro Highest Duty: My Search for What Really Matters (que serviu de base para o filme), levou-o ao produtor Frank Marshall, Todd Komarnicki escreveu o roteiro e Clint (Eastwood) realizou o projeto.

Então se envolveu diretamente na produção?

 Meu envolvimento foi mais na pré-produção. Eles tinham de entrar na minha mente, queriam detalhes específicos da minha vida e profissão, como são os uniformes dos pilotos da US Airways, suas carteiras de identificação, que relógio eu uso, meus anéis. Queriam saber até o que fazia ao entrar na cabine, se afrouxava a gravata e tirava o paletó, e como são as conversas entre os pilotos. No set mesmo, só estive em dois dias de filmagem. Um foi em Charlotte, na Carolina do Norte, para a gravação da cena dos créditos, com a reencenação do encontro da equipe de voo e os passageiros. A outra foi no Universal Studios Hollywood, em Los Angeles. O avião estava num lago, com a tela azul atrás, onde a maioria das cenas de resgate seriam filmadas. Foi fascinante. Outros chefes de estúdio, que não tinham nada a ver com a produção, foram assistir, porque era como se estivessem gravando nos anos 50 ou 60, com centenas de pessoas de verdade e não criadas no computador. Um avião que já não era mais usado foi levado até a Califórnia de caminhão e colocado na água. Era um dia de temperaturas amenas, os extras estavam com frio e me chamavam, “Sully, você pode vir nos resgatar?” (risos). RENATA PRIMAVERA

 

 

 

 

 

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