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Última temporada de Magnífica 70 foca cenário político

O objetivo de Magnífica 70 sempre foi contar uma história de amor. Entre pessoas, mas em especial pelo cinema, mostrando a paixão que envolvia a Boca, como ficou conhecida a região do centro de São Paulo onde se concentravam os escritórios de estúdios e outras empresas ligadas à produção cinematográfica entre os anos 1960 e 1980. Estrelada por pessoas capazes de tudo para colocar um filme na tela e com a falta de verba como principal coadjuvante, a Boca deixou sua marca como produtora de filmes independentes e sem recursos estatais.

Com consultoria de Alfredo Sternheim (Anjo Loiro), um dos grandes nomes do cinema produzido na Boca, Magnífica 70 chega na terceira e última temporada ao período do governo Geisel (1974-1979), que prometia uma abertura “lenta, gradual e segura”. Os novos episódios encontram os principais protagonista separados. Isabel (Maria Luísa Mendonça) envolvida com a luta armada contra a ditadura. Vicente (Marcos Winter) está cada vez mais afetado por seus delírios e Manolo (Adriano Garib) está em fuga, enquanto Dora (Simone Spoladore) segue presa aos eventos do final da temporada anterior.

“Quando a Dora entrou naquela sala no final da segunda temporada, com aqueles homens todos, eu acho que ela faz uma coisa terrível, ela separa a mente dela do corpo, do coração, ela decide: é só o meu corpo, e ela se entrega pra aquilo. E eu acho que quando ela faz essa cisão ela permanece assim na terceira temporada toda”, esclarece Simone Spoladore durante a coletiva de lançamento da nova temporada.

Com direção de arte de Yurika Yamasaki, a série reconstrói o período com eficiência, o que não é fácil quando boa parte do público viveu a época retratada. “A gente estudou uma fotografia que fosse meio podre, que tivesse uma aparência de um filme que você assistia no cinema na época”, aponta o diretor Cláudio Torres.

A produção também inseriu cenas de arquivo em meio à narrativa para compor o retrato do passado recente em São Paulo. “A gente conseguiu apodrecer a imagem tanto quanto a imagem de arquivo hoje tem essa aparência”, completa o diretor.

Não faltam também referências a eventos reais, como o caso Rio Centro, atentado à bomba planejado por militares descontentes com a decisão do governo Geisel de devolver o país à democracia. Programado para o show do Dia do Trabalhador em 1981, o atentado deveria ser imputado a um grupo da luta armada, justificando assim, a permanência dos militares no poder.

Outras referências apontam para eventos mais recentes, ganhando relevância inesperada dentro do atual cenário político. “A gente brinca com coisas que vieram depois e eles que tiveram a ideia”, detalha o diretor.

São eventos capitais para o destino da Boca e dos personagens da série, e que dão o tom dos novos episódios. “É uma temporada sombria, uma temporada pesada, que vai falar de assuntos que por incrível que pareça estão hoje em dia em cima da mesa, infelizmente. Mas ao longo dela, ela vira, o poder do cinema, da arte, você conseguir dizer as coisas, a própria amizade, o amor entre eles, são os Intocáveis, os Sete Samurais”, diz Torres.

“Eles se encontram pelo cinema, se separam e agora eles se encontram de novo pelo cinema, cada um fazendo um tipo de cinema” resume Simone Spoladore.

HBO

14/10, 21h

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