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Festival de Gramado abre com João, O Maestro na tela e na orquestra

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Sexta-feira foi um dia especial para a cidade de Gramado e o tradicional festival de cinema da Serra Gaúcha. Afinal, foi dia de conferir o filme de abertura João, O Maestro, estrelado por Alexandre Nero e Rodrigo Pandolfo, e também de presenciar o próprio maestro João Carlos Martins – ao vivo – regendo a Orquestra Sinfônica de Gramado, antes da sessão.

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João Carlos Martins, ao piano, durante abertura do 45º Festival de Cinema de Gramado

O espetáculo foi um deleite para os presentes e composto por clássicos do cinema, como A Missão, Cinema ParadisoPiratas do Caribe, Cantando na Chuva, entre outros, além famosos temas de suspense. Foi uma festa com direito a muitos pedidos de fotos, devidamente atendidos. “Estou muito honrado de hoje estar à frente dessa orquestra que me emocionou pela qualidade dos músicos e do maestro”, elogiou Martins.

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Rodrigo Pandolfo, Fernanda Nobre, João Carlos Martins, Mauro Lima (de toca) e Alinne Moraes e Paula Barreto.

Após o show e antes da sessão, a produtora Paula Barreto subiu ao palco com a equipe e o cinebiografado. Martins, como PREVIEW já havia comentado, ressaltou novamente que o filme foi 100% fiel a parte musical, mas no lado pessoal ele contou com a criatividade do diretor Mauro Lima para tomar licenças na composição da obra baseada em sua vida. Ele contou ao público presente na sala que já tinha visto o filme três vezes e nas três acabou chorando. Após a exibição, João, O Maestro recebeu aplausos, mas a sensação que se teve ao longo da noite, inclusive, após a exibição do segundo filme (O Matador) é que o público, estranhamente, não estava dos mais animados. Se era o frio que já beirava os 15 graus, não saberemos, mas o Palácio dos Festivais já aglomerou plateia mais animada.

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Equipe de João, O Maestro, no Festival de Gramado 2017

Na manhã deste sábado, 19, a equipe técnica se apresentou em uma coletiva de imprensa e vários assuntos foram abordados. A produtora Paula Barreto ressaltou a importância da participação do cineasta durante todo o processo, de entender as dificuldades, de colaborar para as soluções. Ela disse ainda que após exibir para profissionais do exterior, eles ficaram espantados ao saber que a obra custou cerca de R$ 9 milhões e não os R$ 50 milhões que eles imaginavam.

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Paula Barreto, coletiva de João, O Maestro

Streaming X Tela grande
Como já era esperado, o assunto exibição por streaming em múltiplas telas veio à tona. Apesar de achar a parceria muito válida, Mauro Lima ressaltou que o filme dele foi feito para o cinema. “É uma produção feita para ver numa sala grande, porque tem muita música”, disse ele lembrando que sente pavor quando um jornalista pede link para ver uma obra como essa. “É uma experiencia diminuída se foi pensado para a tela grande, com som” e Paula complementou lembrando que o filme tem 14 números musicais. “Mas tem filmes e filmes. Essas plataformas precisam ser levadas em consideração. O futuro é hoje”, concluiu a produtora.

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Rodrigo Pandolfo e Mauro Lima, coletiva de João, O Maestro

Do humor para o drama
Ao conversar com a plateia da coletiva sobre a diferença de sua atuação, uma vez que é mais conhecido pela comédia, em especial pelo Juliano filho da Dona Hermínia nos sucessos Minha Mãe é Uma Peça, o ator Rodrigo Pandolfo foi realista e voltou ao início da carreira, que ressalta ser curta. Segundo ele, o ator aceita o que vem quando está começando e muitas vezes isso acaba situando o profissional no que ele chamou de “bendita (ou seria maldita?) gavetinha” que os rotula.

“O João (o filme) abre uma gavetona de possibilidades que o público não tinha recebido até hoje. Fazer o Joaõ é chegar o mais perto possível do centro da cebola, que tem várias cascas. Tem trabalhos que você consegue tirar várias delas. Esse trabalho me permitiu fazer isso. Foi o único trabalho que me fez sentir próximo do palco”, disse Pandolfo.

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Rodrigo Pandolfo – Coletiva de imprensa de João, O Maestro – Festival de Gramado 2017

A interpretação
O ator contou que uma das preocupações foi com o sotaque do maestro, que sentiu pânico antes de filmar, mas isso se dissipou no primeiro contato com João Carlos Martins no set. “No meu primeiro dia de piano, o João estava lá. Ele chegou no meu ouvido e disse “enterra a cara no piano”. E completou dando sua visão do artista cinebiografado, afirmando acreditar que ele entra numa realidade paralela quando se senta no piano. “Ele vive uma pequena vida, porém intensa, em casa música. Ele consegue travar em cada música um diálogo com a tecla, que vai do carinho ao ódio. Ele tem raiva, amacia. É uma relação passional”, disse o ator orgulhoso de ter ouvido do maestro que ele havia se visto aos 20 anos de idade.

Cuidado com a “dublagem” das mãos
Paula Barreto contou que uma das maiores preocupações da equipe e a participação de Martins nesse processo foi vital. Segundo ela, outros músicos e maestros elogiaram demais a sincronicidade dos movimentos das mãos, teclas e o que se houve na sala escura.

Fotos: Edison Vara, Diego Vara e Cleiton Thielle / Pressphoto

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