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Gramado: “O Grande Circo Místico” é poesia visual

Exibido fora de competição, O Grande Circo Místico abriu o Festival de Gramado na noite de ontem, depois de fazer sua première internacional em Cannes. Com 78 anos e mais de 50 anos de carreira, o cineasta Cacá Diegues conta em entrevista coletiva realizada nesta manhã, 18 de agosto, que a adaptação do poema de Jorge de Lima precisou de 13 anos de maturação para ficar pronta. “Levei muito tempo para escrever o roteiro, porque transformar 45 versos em dramaturgia não é simples. Mantivemos a estrutura do original, mas tivemos de inventar muita coisa e o roteirista George Moura trabalhou o tempo todo comigo na construção dessas histórias”, afirma.

Filmado em Portugal e com trilha sonora repleta de clássicos de Chico Buarque e Edu Lobo, o filme conta a história de cinco gerações de uma mesma família circense, do apogeu à decadência, passando por grandes amores e aventuras. Quem alinhava os 100 anos que transcorrem na narrativa é o personagem de Jesuíta Barbosa, em um tipo que aproxima a trama do realismo fantástico e que não existe no poema original.

O ator diz ter se impressionado com o roteiro que Diegues lhe apresentou. “Não havia lido o poema, mas sabia que era curto e percebi que a adaptação era fabulosa, fora que tinha vontade de me arriscar em um papel menos naturalista.” Além de Jesuíta Barbosa, a atriz Bruna Linzmeyer, Marcos Frota e Mariana Ximenes foram outros nomes do elenco que marcaram presença no tapete vermelho do Palácio dos Festivais.

Da esquerda para a direita, Dawid Ogrodnik, Jesuíta Barbosa e Mariana Ximenes

Diegues explica que a finalização da sonorização e dos inúmeros efeitos especiais tomaram cerca de três anos e meio da pós-produção, realizada na França, que assina a produção em parceria com Brasil e Portugal. Já Mariana Ximenes treinou trapézio por seis meses e faz ela mesma quase todas as sequências circenses. Sua personagem quer ser freira, mas o pai não só a quer no circo como exige filhos.

Para reprimir o sofrimento, ela se inflige dores físicas, como cera quente de vela e uma extensa tatuagem no corpo. “Ela tem uma ebulição interna muito grande e marca seu corpo em uma tentativa de aliviar a dor da alma”, afirma a atriz. “O fato de filmarmos em Portugal, em um circo de verdade, criou uma atmosfera que complementou o processo de composição dos personagens.” Mariana revela ainda que seu marido no filme, o ator polonês Dawid Ogrodnik, estava junto com a equipe nos sets quando Ida, produção polonesa que também estrelou, foi anunciada a vencedora do Oscar de filme estrangeiro em 2015.

Bruna Linzmeyer

Há diversas cenas de sexo, mas Bruna Linzmeyer e Rafael Lozano protagonizam a mais ousada, que a atriz ter sido divertida de fazer. “Meu preparo circense incluiu contorcionismo, dança do ventre, além da yoga, e fomos para um kama sutra da yoga nessa cena”, lembra. “Buscamos posições nos livros e foi um dia todo só para filmar, mas estava tão à vontade com o Rafa, pelados, que só avisava que ia me arrumar de tal e tal forma, e encaramos tudo como uma brincadeira dramatúrgica.”

“O filme procura fugir do naturalismo que tomou conta do cinema contemporâneo”, completa Diegues. “O que fiz aqui é uma tentativa de recuperar o barroco brasileiro.”

A estreia de O Grande Circo Místico  nos cinemas brasiliros está marcada para 15 de novembro.

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