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Varilux: As mães de Promessa ao Amanhecer e O Poder de Diane

Entre os 20 títulos da nova safra da cinematografia francesa em exibição no Festival Varilux, que continua até dia 20 de junho por todo o Brasil, dois se destacam por contar histórias de maternidade radicalmente opostas, porém igualmente fascinantes.

O Poder de Diane, primeiro longa do roteirista e diretor Fabien Gorgeart, é sobre uma mulher sem instinto materno. Diane (Clotilde Esme) está à beira dos 40 anos, mas continua baladeira e só tem casos rápidos. Está grávida, mas para ter o bebê de um casal de amigos gays. Não demonstra nenhuma afeição pelo ser que cresce em seu útero, assim como nega para si mesma o amor que desenvolve por Fabrizio (Fabrizio Rongione), que está reformando a casa de campo da mãe dela.

O enredo não busca respostas para o bloqueio emocional de Diane, mas faz algo melhor. Cria situações em que sua real natureza aflora, com a ternura vindo forte à baila, para então ser reprimida e mascarada por seu jeitão desencanado. Só que aí é tarde. O espectador já sabe a verdade sobre essa mulher moderna, complexa e instigante.

Indicado a quatro César (o Oscar francês) – melhor atriz, roteiro adaptado, design de produção e figurino – Promessa ao Amanhecer é um épico familiar inspirado no romance homônimo e autobiográfico de Romain Gary. Tudo o que ele fez na vida (e não foi pouco) visava realizar os anseios maternos. Charlotte Gainsbourg (Anticristo) interpreta essa mãe solteira surperprotetora, tão áspera quanto carinhosa, que colocou um “elefante” nas costas do filho com suas aspirações de grandeza.

Da infância na Polônia, passando pela adolescência em Nice, até as proezas como aviador na Segunda Guerra, Romain Gary teve uma vida extraordinária. Pierre Niney (Frantz) faz o personagem na fase adulta, quando a sombra da mãe ora era um fardo, ora um motor. Produção ambiciosa, Promessa ao Amanhecer é a história de um amor sem limites, maior que tudo. Mas é também um acurado retrato da Europa da primeira metade do século 20.

Duas curiosidades:

  • O romance foi adaptado pela primeira vez em 1970, por Jules Dassin.
  • Jean Seberg (Acossado) foi a segunda esposa de Romain Gary, que teve seus dias como cineasta ao dirigir a atriz em Desejo Insaciável, com roteiro de sua autoria.

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