Público lota Centro Cultural São Francisco em concerto especial da Orquestra Sinfônica de João Pessoa

O público lotou o Centro Cultural São Francisco, no Centro Histórico da Capital, na noite desta sexta-feira (29), para assistir ao concerto da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa, sob a regência do maestro chileno Carlos Dourthé. O evento marcou o encerramento do 8º Festival Internacional de Música de Câmara da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), apoiado pela Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).

O diretor executivo da Funjope, Marcus Alves, afirmou que foi uma noite muito especial da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa e ressaltou que os músicos e as musicistas tiveram uma performance de alta qualidade, uma marca do trabalho da equipe liderada pelo maestro Nilson Galvão. Ele avaliou que, na noite desta sexta-feira, o trabalho da Orquestra tomou uma dimensão especial porque marcou o encerramento do Festival Internacional de Música de Câmara da UFPB.

“Agradeço muito ao maestro Carlos Dourthé, que veio da França, ao professor Felipe Aquino, coordenador do Festival, e a toda a equipe do Museu de São Francisco por acolher os nossos projetos artísticos e culturais. Ficamos muito contentes de poder liderar essa política de cultura da cidade de João Pessoa, sob a orientação do prefeito Cícero Lucena, e trabalhar com toda a diversidade de cultura que nós temos”, acrescentou.

Felipe Avellar de Aquino, professor de violoncelo da UFPB e coordenador do Festival Internacional, destacou que, com a parceria UFPB-Funjope, foi possível constatar o maior evento entre os oito já realizados. “Este foi com um nível artístico mais alto, com nomes internacionais mais importantes. Terminamos com o coração cheio de alegria e muito honrados por tudo que vivenciamos e já planejando a nona edição”, afirmou.

O maestro Carlos Dourthé, que nasceu em Santiago do Chile e vive na França há mais de 40 anos, destacou suas impressões sobre o trabalho da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa. “Esta é a primeira vez que visito João Pessoa. Estou muito contente porque vim para reger a Orquestra da cidade. Os músicos são realmente excepcionais e, para mim, é um privilégio estar aqui. Passei uma semana muito linda de trabalho. O concerto foi o resultado de todo esse trabalho e foi um prazer tocarmos juntos”, afirmou Dourthé.

Público – Quem foi ao Centro Cultural São Francisco pode apreciar um belíssimo concerto e elogiou a iniciativa da Funjope de realizar as apresentações mensais e gratuitas.

O engenheiro florestal Leão Carlos destacou que considera os concertos da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa bem interessantes. “É sempre muito bom assistir ao concerto, principalmente porque é tudo gratuito. A população poderia, inclusive, prestigiar mais porque é uma oportunidade fantástica da gente ver grandes solistas, grandes músicos e musicistas. Vale muito a pena”, comentou.

A estudante de enfermagem Alícia Santos ressaltou a relevância do evento. “Acho muito importante esses concertos abertos ao público. Ter a oportunidade de vir aqui prestigiar é muito enriquecedor para mim, culturalmente, e também para o cidadão de João Pessoa”, disse.

A servidora pública Suellen Finizola observou que a Prefeitura está de parabéns por manter viva a cultura. “Eu trouxe meu filho de 11 anos para perpetuar essa geração de cultura, de novos conhecimentos, de algo que realmente enriqueça a nossa alma. Os concertos nunca decepcionam aqui no Centro Cultural São Francisco, que tem uma acústica incrível. Tudo aqui é muito lindo e corrobora com a Orquestra”, elogiou.

O arquivista Guilherme de Paula tem a mesma impressão. “Eu acho que o incentivo à arte através das prefeituras e dos órgãos competentes é de suma importância para a diversão e bem-estar da população, e inclui várias camadas da sociedade. É uma oportunidade que vale a pena aproveitar, porque a música em si e a arte falam com o coração das pessoas, independentemente da classe social à qual se pertence”, frisou.

Concerto – Foram executadas três obras durante o concerto, iniciando com o solista Cármelo de Los Santos, que é brasileiro e professor no Novo México (EUA). Ele tocou o Rodó capriccioso, de Camille Saint-Saëns. “É uma peça de bravura para violino, muito virtuosística. “Cármelo toca e se expressa com muita facilidade. É um músico expressivo e tem uma qualidade sonora muito bonita”, pontuou o maestro da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa, Nilson Galvão.

Na sequência, foi executado o concerto nº 1 para violoncelo, de Dmitri Shostakovich. “Um concerto muito difícil tecnicamente e musicalmente falando, e eu digo isso com bastante propriedade porque sou violoncelista. Fala muito sobre medo e terror de um regime comunista. O próprio Shostakovich está inserido na música. As primeiras quatro notas do concerto se repetem e são as iniciais do nome dele. Então, é um pouco autobiográfico”, explicou o maestro.

O concerto foi encerrado com a 1ª Sinfonia de Beethoven. “Esta Sinfonia, na época de sua estreia, foi muito vaiada porque pegou as pessoas de surpresa com essa nova sonoridade, extraindo sons autênticos dele, como sustos e uma massa sonora muito forte. Foi uma noite brilhante e especialíssima”, resumiu Nilson Galvão.